(Ex) Citações de Cada Dia > Fóruns sobre Saúde e Segurança no Trabalho  (Letra E) (1)

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Índice temático

1. Empreendedorismo

2. Empresas & Empresários

3. Emprego & Desemprego

4. Enfermagem (Cuidados e Pessoal de)

5. Enfermagem do Trabalho

6. Engenharia de Segurança

7. Equipa de Saúde Ocupacional

8. Escola Salutogénica ou Patogénica ?

9. Esquerda/Direita

10. Estábulo-Modelo (A Empresa como)

11. Estatísticas

12. Exemplos de Boas Práticas

 

Tema: Empreendedorismo (vd. Empresas & Empresários) .   

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Tema: Emprego & Desemprego.  Nº de ordem, Nome e Data. Mensagem (excerto) (*)
(1) Cibernocturno,    21/2/2001

Admitir pessoal e despedir pessoal é o trabalho de todos os dias de qualquer gestor... Infelizmente é mais difícil despedir do que admitir. No caso da empresa que gere este portal [ Terràvista ], é óbvio que ela não é diferente das outras, não é melhor nem pior do que aquela onde trabalho: se a facturação (julgo que vivam da publicidade, não ?) está abaixo do previsto, se os objectivos estratégicos não foram alcançados, se a taxa de juro sobe, etc., tem que se cortar algumas gorduras. E uma delas é, infelizmente, o pessoal, que representa um enorme encargo fixo, quer produza quer não produza. Por isso só podemos admitir a prazo...Esta é que é a dura realidade do dia a a dia de um gestor. "É preciso fazer bem as contas, meu amigo", são as recomendações que oiço muitas vezes do sócio-gerente que tem funções executivas na nossa empresa. É que nós não temos um orçamento de Estado à nossa disposição!... Por outro lado, já não é nenhum drama ser despedido, sobretudo quando se é jovem. Não faltam para aí empregos (...).

  (*) Fonte: Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde e Segurança no Trabalho

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Tema: Empresas, Empresários. Nº de ordem, Nome e Data. Mensagem (excertos) (*)

(1) A. J. (*), 24/5/2000

(...)   No dia 10/4 tive oportunidade de manifestar o meu ponto de vista sobre a eurocracia que nos desgoverna. Vinha isso a propósito das montanhas de diplomas e diplomazinhos sobre higiene e segurança com que nos chagam a cabeça, a nós, empresários, de quem se espera que criem postos de trabalho, façam negócios, desenvolvam a economia do país, paguem impostos, etc.

Qual foi a resposta dos membros deste fórum ? Inusitada!... Insultaram-me: pseudo-empresário, tecnocrata, burocrata, capitalista capaz de vender a mãe e o pai, e outros mimos que tais!... Devo dizer que não me aquecem nem me arrefecem. Vozes de burro não chegam aos céus, já dizia o meu velho que me ensinou a nadar contra a corrente.

Habitualmente não tenho tempo nem paciência para polémicas. Mas hoje apeteceu-me dar o troco, ao reler uns papéis que a minha secretária me perguntou se podiam ir para o lixo. E, como gosto de vez em quando surfar na Net, voltei hoje ao local do crime.

Não sou eu, concretamente, que estou em causa. Sou eu e todos os demais jovens empresários que desde os finais de 80 (sim, com essa grande figura de Governante que foi/é o Professor Cavaco Silva!) têm aparecido no mercado, arriscando o seu dinheiro e gastando os  melhores anos da sua vida. São esses jovens empresários que estão a ser insultados!

Que fique bem claro: não é o Estado, mas o mercado quem me dá lições. Nem muito menos os lacaios do Estado, os que comem todos os dias à mesa do orçamento. Eu e os meus cinco colaboradores/as em duas lojas de franchising  orgulhamo-nos de comer o fruto do nosso trabalho e do nosso investimento. E deixem-me dizer mais: as nossas lojas bem podem ser apresentadas como um exemplo de locais de trabalho que obedecem a todos os requisitos de conforto, higiene e segurança: para nós e para os nossos clientes!

Não precisámos  que viessem os inspectores do trabalho ou os eurocratas de Bruxelas  dizer o que tínhamos que fazer em matéria de condições de trabalho... E a razão é simples: se eu não oferecer boas condições aos meus colaboradores e os meus clientes, um dia destes tenho que fechar as lojas! É a lógica do mercado, não é a lógica do Dr. Mota da Silva, que é o inspector-mor!

Passem bem, seus estudantes de merda!

(*) Um empresário de sucesso

(2) Cibernocturno, 30/5/2000

(...) Ainda há dias li uma entrevista do senhor inspector-geral do trabalho, parece que voltámos ao tempo da caça às bruxas e da inquisição.  Nos tempos da globalização, alguém vai à China ver se os trabalhadores que estão a roubar os postos de trabalho aos portugueses, se têm EPI (equipamento de protecção individual) ou se os empresários cumprem os requisitos mínimos da higiene e segurança no trabalho (...), se não fazem batota, concorrência desleal, dumping social, etc. ?

O Sr. Presidente da República esteve há dias no Vale do Ave e ouviu das boas, por parte dos empresários: "Queremos trabalhadores qualificados, não os há"!, "Há trabalhadores a ganhar 70 contos quando não valem 20"!, "Andam a agitar as bandeiras pretas da fome e da miséria, mas preferem andar pelo fundo de desemprego e fazer uns biscates na construção civil", etc. (...).

(3) M[ary], 30/5/2000

A mulher a dias que vai lá casa fazer a limpeza, passar a ferro, etc., ganha novecentos escudos à hora; ao fim do mês dá mais do que o salário mínimo. Não me digam que ela não merece. Como é que um empresário é capaz de dizer que na sua região há trabalhadores, na indústria têxtil, a ganhar 70 contos, quando não merecem 20?!... Mais de vinte contos recebo eu de mesada da minha mãe. Em que terra é que estamos ? Em que ano ? Há coisas que eu não percebo, sinceramente.

(4) Convidado (*), 1/6/2000

Eu acho que a inspecção do trabalho tem um papel de moralização e de regularização dos disfuncionamentos do mercado. Sei que muitos empresários portugueses têm um "ódio visceral" aos "fiscais".

Isto não é conversa da treta (...), é uma questão de civilização. Os empresários (mas também os trabalhadores) portugueses têm que interiorizar certas normas e valores! Temos que ver as questões do trabalho (incluindo os problemas da saúde e segurança) de um e de outro lado. Os sindicatos, nisto, são muito unilaterais, às vezes também só vêem as coisas pelo prisma que lhes interessa.

É claro que, quando a discussão se põe ao nível apenas dos salários e da produtividade do trabalho, também estamos a ser sectários e redutores. Aqui falo dos empresários e gestores.

Temos que elevar o nível das assessorias científicas e técnicas junto das associações sindicais e patronais. Se não há o risco, como aconteceu no Vale do Ave, aquando da visita do Sr. Presidente da República, de ouvirmos apenas as velhas e relhas lamentações corporativas, quer de um lado quer de outro. Devo dizer que me chocou a frase, que o Sr. Presidente também ouviu (não sei como reagiu!):

- Há trabalhadores (no Vale do Ave) a ganhar 70 contos por mês quando não valem 20!

Que efeito é que pretendia obter o empresário (ou representante dos empresários da região) que disse uma enormidade destas ? Que recado é que queria mandar ao representante máximo do Estado ? Que é preciso liberalizar totalmente os despedimentos ? Acabar com a contratação colectiva ? Rasgar a Constituição do país e a legislação laboral ? Impor o capitalismo selvagem no Vale do Ave ?

Como estudante de gestão e jovem cidadão deste país (e ainda por cima minhoto!), há coisas que me preocupam:

- A quem é que estão entregues os destinos das nossas empresas ? A pessoas (mal formadas e mal preparadas) que põem as questões da remuneração do trabalho nestes termos ? Estamos a discutir o quê: o preço dos bois na feira ou o justo valor do trabalho na indústria têxtil ?

É pena que não tenhamos tido conhecimento da resposta ou do comentário do Sr. Presidente da República. 

(*) Estudante de gestão, ISCTE.

(5) JAMPereira, 30/1/2001

 
(...) Na grande maioria das PME o chamado serviço de pessoal está caduco.  Isto quer dizer que nem serve os interesses da entidade patronal. Nas raras visitas de inspecção, a IGT [ Inpecção-Geral do Trabalho ] actua de forma didáctica, mas que a entidade patronal rapidamente esquece:


- Para quê o serviço de medicina do trabalho, que chatice ter que mandar os operários ao médico?
- Para quê ter o horário de trabalho actualizado, então aquele de 1974 não serve?
- Para quê formação profissional, eu é que sei o que é bom para o meu pessoal, sempre fiz assim, e está bem feito, modernices!


Ora, eu acho que a IGT deveria ser mais lesta na sua actuação quotidiana, as coimas não resolvem, pois fica tudo na mesma; por vezes, as entidades patronais fazem as contas e mais vale pagar uma multa do que actualizar o sistema informático que por sua vez obrigaria a actualizar as categorias, os quadros de pessoal, etc. etc.  Eu acho que a IGT deveria ser mais actuante, obrigar os empresários a ir para a escola, aprender as regras de gestão, quando sistematicamente actuam mal e deliberadamente.

(6) Eurocéptico, 31/1/2001

Para eurocéptico já basto eu... Dou a mão à palmatória, eu que pensava que os nossos empresários  eram patriotas. Veja-se o Belmiro, que pôs o mealheiro na Holanda, a salvo das garras do Pina Moura! Eles não precisam de ir para a escola: já têm a escola toda!

(7) Cascais, 31/1/2001

Sinceramente gostei desta ideia, a de porem a Inspecção do Trabalho a obrigar os empresários mal comportados a ir para a escola. Já agora faço uma sugestão: acrescente à lista os políticos da nossa praça, os dirigentes sindicais, os presidentes das fundações, os corpos gerentes dos clubes de futebol, etc. Ignorantes ou não em matéria de gestão, ainda somos nós, os empresários, que vamos criando alguma riqueza para a este país cujo projecto de modernização vejo cada vez mais adiado (...).

(8) Barbarian Girl, 1/2/2001

Estou de acordo contigo quando pões os nossos empresários entre aspas [ referência à mensagem do Eurocéptico, de 31/1/2001 ]. Eu sei que não se pode nem deve generalizar, mas é evidente que terá de ser a nossa geração a aumentar o nível de qualificação do empresário português. Se quiseres uma palavra para definir o português (estudante, professor, empresário, trabalhador, etc.) é...graneleiro.  Eu acho que somos todos graneleiros, desenrascados, toscos, porreiros, impulsivos, aventureiros, emotivos... Somos todos filhos do Fernão Mendes Pinto e das suas (des)venturas por esse mundo fora. Vocês não acham? Pessoalmente, fico triste quando vejo homens e mulheres a terem que ir para o estrangeiro para [ poderem ] triunfar profissionalmente. Vejam o caso do Prof. Damásio ou do Prof. Queirós e Melo. E porquê ? Temos hospitais graneleiros, temos investigação científica graneleira, temos empresas e empresários graneleiros. Mesmo assim gosto muito, muito de mim e dos portugueses, gosto muito deste país de merda, como diria o Jota Lourenço. E não sou masoquista (...).

(9) Andreia Vieira (Terràvista), 1/2/2001

(...) Quanto à opinião que expressas relativamente aos portugueses e ao seu modus operandi, eu não podia estar mais de acordo. É curioso que nunca tenha ouvido a expressão graneleiro, mas de acordo com a tua exposição percebi exactamente o que significa e acho que assenta que nem uma luva ao nosso povo, infelizmente.

No entanto, adoro ser portuguesa, adoro Portugal e dificilmente trocaria o nosso país por outro qualquer. Tenho é mesmo pena que, por mais que se repita até à exaustão que não se aproveitam os nossos valores, ninguém faz nada para inverter a situação...

(10) Dr. Hipócrates, 1/2/2001

Que chatice, ter que mandar os operários ao médico!, pensa e diz o nosso empresário PME. Tem razão o JAMPereira. Ele acaba de pôr o dedo na ferida. Quem conhece as PMEs, quem convive com o empresário que fez de tudo um pouco na vida (e que é um fura-vidas) sabe que as coisas passam-se um pouco assim. Direcção de pessoal é coisa que não existe: Há uma senhora quarentona que processa as folhas de vencimento e faz os descontos para a caixa. E que anda sempre com o credo na boca porque o computador vai abaixo. Cumprir as obrigações que a lei determina (respeito pelo cumprimento do horário, exames de selecção do pessoal, exames periódicos feitos pelo médico do trabalho, auditoria das condições de trabalho, responder aos inquéritos estatísticos do Ministério do Trabalho, etc.), tudo isso é uma carga de trabalhos. E há lá tempo para mandar o pessoal fazer formação!... 

- Isso é que era bom: aprendam como eu que sou filho de uma mulher doente e que também não nasci ensinado. Oh, doutor, não se chateie, que eu também não. Quanto é que é essa coima ? Eu passo já o cheque e fica o assunto arrumado....

Não é caricatura, meus amigos. É uma pequena empresa metalomecânica (cerca de 55 trabalhadores) da Região de Lisboa e Vale do Tejo onde eu vou uma vez por semana à tarde, porque sou lá médico do trabalho. E o empresário é um self-made man, com a quarta classe, que eu muito admiro como pessoa, dotado de grande capacidade de decisão, de iniciativa, de tenacidade e de liderança. Dir-me-ão que não é o empresário do futuro, que não tem o perfil adequado. Não sei, só sei que os negócios vão de vento em popa e que o pessoal não anda descontente.

Porque este é o país real, só discordo do JAMPereira quando ele pretende atribuir aos inspectores do trabalho um papel que obviamente não pode ser o deles. Por favor, não façam da Inspecção do Trabalho o Big Brother  das empresas. Não se trata de obrigar os empresários a ir a escola, trata-se é de obrigar a administração pública (os vários sectores: economia, formação, trabalho, saúde, ambiente, etc.) a dar aos pequenos e médios empresários o apoio que eles precisam e não têm. O apoio concreto e efectivo, não o blá-blá. Eles precisam de conselheiros técnicos qualificados que se desloquem ao local de trabalho para ajudar, aconselhar, resolver problemas, e não de inspectores paternalistas que dão palpites, papam almoços e, no fim, aplicam coimas para mostrar serviço.

(11) Cibernocturno, 1/2/2001

Duas palavras rápidas para o Dr. Hipócrates (...):  A primeira, de desacordo: o retrato que faz das nossas empresas é muito estereotipado. Pelo menos, na minha região, já nos orgulhamos de ter serviços de pessoal que não se limitam a processar as folhas de vencimento e a controlar a assiduidade. Uma segunda e última palavra, de aplauso: de facto, os empresários portugueses são adultos e responsáveis, já deram provas (e dão todos os dias), não precisam de voltar aos bancos da escola. O mesmo não podemos dizer da administração do trabalho que não percebe nada de negócios nem de economia. Em vez de andarem para aí armados em fariseus à caça do trabalho infantil, deviam era preocupar-se com o apoio à família, à escola e ao desenvolvimento comunitário. Ainda hoje, pelo que ouvi, reuniram-se em Lisboa mais uns tantos senhores de vários países para discutir o trabalho infantil... Folgo em saber, pela boca do senhor ministro, que a situação hoje é muito melhor do que em 1998. Só gostava que agora deixassem o Vale do Ave em paz.

(12) Jota Lourenço, 2/2/2001

Ainda hoje ouvi dois dirigentes sindicais, o da UGT e o da CGTP-IN afirmarem (e julgo que não estão conluiados...) que o nível médio das habilitações (literárias) dos patrões portugueses é inferior aos dos trabalhadores... Isto vinha a propósito da nossa produtividade do trabalho que continua muito baixa (menos de 60% da produtividade média na União Europeia!). Fico piurso  quando ouço dizer, como aos gajos da CIP [ Confederação da Indústria Portuguesa ] que a culpa é sempre da legislação laboral e da porcaria dos trabalhadores que temos... Quando é que acabam com esta merda de discurso masoquista que não leva a nada?

(13) Cibernocturno, 25/3/2001

Já não é primeira vez (...) que neste fórum é posta em causa a engenharia civil portuguesa ou os engenheiros como classe profissional, devido a questões de segurança (...). Nós, portugueses, temos o péssimo hábito de arranjar bodes expiatórios quando acontecem desgraças,  como foi o caso do colapso da ponte em Entre os Rios e, agora mais recentemente, do despiste de um autocarro no IP3. Embora com menos impacto mediático, os acidentes de trabalho mortais (na A15, na A6, etc.) também são chamados à colação. Nestas funestas ocasiões, os políticos e os engenheiros vêm sempre à baila, uns por boas razões (os políticos), outros por más ou injustas razões (os engenheiros). Em geral, são os engenheiros que pagam as favas, quando cai o tabuleiro, o pilar da ponte, o viaduto, o túnel, o combóio, etc.  Em contrapartida, os louros vão para os políticos, os donos da obra, pelo menos no dia do corta-fitas.

Para a história quando muito fica o artista, o arquitecto, nunca o engenheiro. Veja-se o caso da famosa pala do edifício da representação portuguesa na Expo98. Toda a gente sabe que o risco é do Siza Vieira, mas da maravilhosa parte de engenharia ninguém pergunta... Eu acho isso de uma grande injustiça. De facto, nem uma palavra se ouve a lembrar a obra e a memória dos grandes engenheiros que modernizaram este país, desde o tempo de D. João V e sobretudo nos  séculos XIX e  XX. E para mais quando as obras continuam de pé, de pedra e cal!... O aqueduto das águas livres, em Lisboa, sobreviveu ao terramoto de 1755, Fontes Pereira de Melo (que era engenheiro militar) dotou o país de modernas infra-estruturas (os caminhos de ferro, as estradas de macadame, os portos). Já no nosso século, temos homens de grande estatura e visão, uns como políticos, outros como empresários, outros como especialistas, mas todos eles engenheiros. Os seus nomes (Duarte Pacheco, Ferreira Dias, Edgar Cardoso, etc., para citar só alguns que já morreram) honram o nosso país e a nossa história. Mais recentemente, grandes empresas, fundadas e/ou dirigidas por engenheiros, estão indissoluvelmente ligadas à nossa modernidade: é justo aqui lembrar a Teixeira Duarte, a Soares da Costa, a Somague, a Mota e Companhia, a Engil e tantas outras. São, além disso, empresas reconhecidamente exemplares no domínio da segurança, higiene e saúde no trabalho. É bom lembrar isto, sobretudo sabendo-se quanto as nossas empresas de construção e obras públicas têm sido denegridas por causa dos acidentes de trabalho (Como se elas fossem as únicas responsáveis pelos desastres que acontecem!) (...).

(14) Luís Graça, 6/11/200

Outro tema já aqui por nós abordado mas que merece ser aprofundado é o do empreendorismo (ou empreendedorismo ? Parece que se usam as duas grafias...). Foi também um dos 17 temas do "mês da cidadania", um fórum de discussão levado a cabo pelo "Público". Aqui fica um resumo do essencial. Mais informação está disponível em:

http://dossiers.publico.pt/cidadania/html/empreendorismo.htm

______________

EMPREENDORISMO
Ganhar gosto pelo risco

Problemas
·País avesso ao risco. Empresas empreendedoras nascem com fracas ambições.

·Sucessivas falhas do Estado e de mercado contribuem negativamente para o empreendorismo.

·Sistema de ensino não o promove e a cultura dominante no tecido empresarial também não estimula a inovação nem a iniciativa.

·Falta de sensibilidade da banca e do capital de risco para o desenvolvimento de iniciativas empreendedoras


Propostas
·Sermos exigentes connosco próprios.

·Mudança no sistema de ensino baseada numa política nacional que crie um ambiente social e institucional capaz de gerar capacidades empreendedoras, sobretudo nos jovens.

·Mudanças na organização burocrática dos serviços públicos vocacionados para a análise e acompanhamento de projectos de empreendorismo, que permitam melhor organização dos próprios serviços, maior celeridade e mais transparência.

(*) Fonte: Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde e Segurança no Trabalho

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Tema:   Enfermagem (Cuidados e Pessoal de)  Nº de ordem, Nome e Data. Mensagem (excertos) (*)

(1)  Virgílio S., 17/1/2001

(...) Como enfermeiro hospitalar, levo [a ] ameaça [do bioterrorismo] a sério. E estou preocupado porque nem sequer temos capacidade de resposta ao nível dos nossos hospitais, em caso de necessidade de uma resposta em massa a um grande número de pessoas que possam estar contaminadas. Já sei, por experiência própria, o que é viver sob o terror de poder estar infectado por um vírus, seja o do Sida ou o do hepatite B (...). 

(*) Fonte: Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde e Segurança no Trabalho

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Tema:  Enfermagem do Trabalho.  Nº de ordem, Nome e Data. Mensagem (excertos) (*)

(1) CiberSexusErectus, 4/7/2000

Quem tramou os enfermeiros do trabalho ? Tenho uma irmã que é enfermeira do trabalho. Segundo ela me disse vai sair uma lei que acaba com estes profissionais de saúde. (...) Pelo Decreto Lei nº 26/94 as empresas com mais de 250 trabalhadores eram até agora obrigadas a ter um enfermeiro do trabalho. Alterações a esta lei, que estão em Belém para assinatura do Presidente, viriam acabar com os enfermeiros nas empresas. Por pressão dos médicos que temem a concorrência. Será isto verdade ?  (...)

(2) Luís Graça, 4/7/2000

É uma história verdadeira. Não julgo que tenham sido os médicos do trabalho a tramar  os enfermeiros. Mas que houve lobbies, houve... É também um história longa, que exige tempo e vagar para ser contada (...).

(3) Jota Lourenço, 5/7/2000

Eu não estou muito por dentro do assunto, mas digam-me lá onde é que se formam os enfermeiros do trabalho, quais são as suas funções específicas, etc. No meu tempo, os enfermeiros eram só para dar umas picas e fazer uns pensos, ajudar o médico da medicina curativa, e pouco mais. Acho que os enfermeiros hoje podem e devem ter outro papel. Qual não sei. Era bom que algum enfermeiro do trabalho nos explicasse isso.
 

(4) Luís Graça, 5/7/2000

Acabou de sair o Decreto-Lei nº 109/2000, de 30 de Junho, que vem alterar o D.L. nº 26/94, de 1 de Fevereiro (com a redacção dada pelas Leis nº 7/95, de 29 de Março, e 118/99, de 11 de Agosto). O D.L. nº 26/94 tem a ver com o regime jurídico da organização e funcionamento dos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho.

Não há dúvida que com o novo art. 23º  desaparece a figura jurídica do "enfermeiro do trabalho". A única referência à enfermagem vem no nº 6 do art. 19º (Exames de saúde): Nas empresas cujo número de trabalhadores seja superior a 250 (...), o médico do trabalho, na realização dos exames de saúde, deve ser coadjuvado por um profissional de enfermagem com experiência adequada" (sic).

Vão perguntar à Direcção-Geral de Saúde o que é isso (profissional de enfermagem com experiência adequada)... Não há dúvida que alguém tramou os enfermeiros do trabalho! (...).

(5) Jorge Andrade, 6/7/2000

Eu acho que há aí mãozinha da corporação médica... No serviço de saúde ocupacional da minha autarquia há uma enfermeira do trabalho cuja competência e empenhamento são muito apreciados por todos os utentes do serviço. Já o mesmo não diria dos médicos que por lá passam. Por exemplo, esta enfermeira, de quem eu até sou amigo, tem tido dificuldades em ser integrada no quadro do pessoal da autarquia. E agora ainda vai ser pior. Ela ontem estava desolada quando leu no Diário da República o tal Decreto-Lei nº 109/2000. Se estes serviços já estavam medicalizados em muitos lados, agora vai ser pior. Na minha modesta opinião, os enfermeiros fazem muita falta nos nossos locais de trabalho, sobretudo em empresas industriais, de construção civil, etc., mas também nas nossas autarquias (...).

(6) Convidado, 7/7/2000

Jorge: Mas ao menos vocês aí têm alguém que vos trate da saúde. Aqui onde eu trabalho fomos uma vez a uma daquelas empresas que há agora de medicina do trabalho. Perguntaram-nos o peso, a altura, mediram-nos a tensão e auscultaram-nos. Depois mandaram-nos para casa satisfeitos da vida, dizendo que estávamos bons  [ uns ], e outros que tinham de ir ao médico assistente (!). E pronto estava cumprida a lei que diz que as empresas têm de zelar pela saúde dos seus funcionários!

(7) Jota Lourenço, 14/7/2000

Meu caro amigo, por favor não chame a isso medicina do trabalho!... É um embuste, um logro, uma sacanice que andam a fazer aos trabalhadores. Com a cumplicidade dos patrões, essa é que é essa. Se eu fosse si, denunciava o caso à Inspecção do Trabalho. Os trabalhadores têm o direito a: 1) Protecção contra os riscos a que estão sujeitos no seu local de trabalho; 2) Vigilância e promoção da sua saúde. O que é totalmente diferente desses pseudo-exames médicos, que nem sequer são feitos por especialistas em medicina do trabalho. Na óptica dos patrões, o que é preciso é lançar poeira nos olhos dos trabalhadores, dos sindicatos, dos eurocratas e dos inspectores do trabalho. Mas não enganam ninguém. Até alguns patrões já começam a pensar que estão a ser levados com este negócio dos exames (?) de medicina do trabalho. Assim, não, não vamos a lado nenhum!
 

 (8) Convidada, 28/2/2001

Sou enfermeira do trabalho numa grande empresa onde faço parte da equipa de saúde ocupacional. Julgava que a enfermagem na área dos cuidados preventivos  tivesse pura e simplesmente sido banida da nossa legislação, com a última revisão do D.L. nº 26/94. Afinal, é com agradável surpresa que vejo ressuscitada a figura do "enfermeiro do trabalho" no texto do Acordo sobre Condições de Trabalho, Higiene e Segurança no Trabalho e Combate à Sinistralidade (Conselho Económico e Social, Comissão Permanente de Concertação Social, 9 de Fevereiro de 2001). No capítulo relativo aos Serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, pode ler-se que o Governo e os Parceiros Sociais "acordam na prossecução e na adopção dos seguintes objectivos e medidas": (...) "5. A promoção da formação profissional, na área da prevenção dos riscos profissionais, designadamente de técnicos superiores de higiene e segurança no trabalho, de técnicos de higiene e segurança no trabalho, de médicos e de enfermeiros do trabalho" (sic).Gostava de saber a vossa opinião sobre este milagre.

(9) Andreia Vieira (Terràvista), 28/2/2001

(...) Eu não domino estas questões relacionadas com a saúde no trabalho, ou seja, pronuncio-me apenas enquanto utente.  Assim, em relação ao milagre  que refere, só posso dizer que me parece muito bem a manutenção da figura do enfermeiro do trabalho até porque provavelmente muitas das situações relacionadas com a saúde dos funcionários poderão ser resolvidas por estes profissionais, não é assim?

(10) Luís Graça, 28/2/2001

(...) Segundo a OMS em cerca de 40% dos Estados membros da Região da Europa os serviços de SH&ST estão sob a tutela do ministério do trabalho, independentemente da maior parte desses serviços tender, cada vez mais, a operar no sector privado;  nos restantes 60%, estão  sob a tutela do ministério da saúde. Quanto à cobertura da população trabalhadora por serviços de SH&ST, ela também  era  muito variável conforme dos países: iria dos 20% aos 90%.  No princípio da década de 1990, estimava-se em 450 mil o total de profissionais de SH&ST, dos quais 100 mil era médicos, 172 mil eram enfermeiros, 70 mil engenheiros de segurança e 25 mil higienistas do trabalho.

(11) Mary, 9/3/2001

Quem são os enfermeiros do trabalho ? Quantos são ? O que fazem ? Onde se formam ? Que competências têm, alguém me sabe dizer ?

(12) Convidado, 10/3/2001

Veja o sítio da  ANEMT (Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho, Brasill: http://www.anent.org.br/).

"2. Perfil e atribuições

"2.1.1. Perfil do Enfermeiro do Trabalho 
Executa atividades relacionadas com o serviço de higiene, medicina e segurança do trabalho, integrando equipes de estudos, para propiciar a preservação da saúde e valorização do trabalhador.

"2.1.2. Atribuições do Enfermeiro do Trabalho
Estuda as condições de segurança e periculosidade da empresa, efetuando observações nos locais de trabalho e discutindo-as em equipe, para identificar as necessidades no campo de segurança, higiene e melhoria do trabalho; elabora e executa planos e programas de proteção  à saúde dos empregados, participando de grupos que realizam inquéritos sanitários, estudam as causas de absenteísmo, fazem levantamentos de doenças profissionais e lesões traumáticas, procedem a estudos epidemiológicos, coletam dados estatísticos de morbidade e mortalidade de trabalhadores, investigando possíveis relações com as atividades funcionais, para obter a continuidade operacional e o aumento da produtividade; executa e avalia programas de prevenção de acidentes e de doenças profissionais e não profissionais, fazendo análise de fadiga, dos fatores de insalubridade, dos riscos e das condições de trabalho do menor e da mulher, para propiciar a preservação da integridade física e mental do trabalhador; presta primeiros socorros no local de trabalho, em caso de acidente ou doença, fazendo curativos ou imobilizações especiais, administrando medicamentos e tratamentos e providenciando o posterior atendimento médico adequado, para atenuar consequências e proporcionar apoio e conforto ao paciente; elabora e executa e avalia as atividades de assistência de enfermagem aos trabalhadores, proporcionando-lhes atendimento ambulatorial, no local de trabalho, controlando sinais vitais, aplicando medicamentos prescritos, curativos, inalações e testes, coletando material para exame laboratorial, vacinações e outros tratamentos, para reduzir o absenteísmo profissional; organiza e administra o setor de enfermagem da empresa, prevendo pessoa e material necessários, treinando e supervisionando auxiliares de enfermagem adequado às necessidades de saúde do trabalhador; treina trabalhadores, instruindo-os sobre o uso de roupas e material adequado ao tipo de trabalho, para reduzir a incidência de acidentes; planeja e executa programas de educação sanitária, divulgando conhecimentos e estimulando a aquisição de hábitos sadios, para prevenir doenças profissionais e melhorar as condições de saúde do trabalhador; registra dados estatísticos de acidentes e doenças profissionais, mantendo cadastros atualizados, a fim de preparar informes para subsídios processuais nos pedidos de indenização e orientar em problemas de prevenção de doenças profissionais".

Em Portugal, também há a ANET (Associação Nacional de Enfermeiros do Trabalho) (...)  [mas ] ainda há poucos enfermeiros de saúde ocupacional a trabalhar nas empresas. Não confundir com enfermeiros nos cuidados curativos.

(13) Luís Graça, 11/3/2001

É caricato mas  ninguém (IDICT, Direcção-Geral de Saúde, INE, etc.) dispõe de informação actualizada e fiável, relativamente aos recursos humanos  existentes no domínio da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho (abreviadamente, SH&ST), a começar pelos médicos e os enfermeiros do trabalho.

Não sabemos, por exemplo, quantos enfermeiros do trabalho  estarão actualmente a exercer funções específicas nas nossas empresas e demais organizações. Em todo o caso, já existe oficialmente, entre nós, a Associação Nacional dos Enfermeiros do Trabalho  (ANET) que, há três anos atrás, teria apenas meia centena de associados.

É sabido, por outro lado, que deixou de haver uma definição legal  da profissão de enfermeiro do trabalho, com as últimas alterações ao D.L. nº 26/94, de 1 de Fevereiro. Refiro-me ao  D.L. nº 109/2000, de 30 de Junho. Estranhamente, o texto do último acordo de concertação social sobre SH&ST, de 9 de Fevereiro, vem 'ressuscitar' a defunta figura do enfermeiro do trabalho. Um mero 'lapsus linguae' ou a mãozinho de algum santo protector dos enfermeiros no Conselho Permanente de Concertação Social ? Não sei nem me interessa. O que importa é que os enfermeiros do trabalho se imponham, no terreno difícil da SH&ST, pelo seu próprio mérito. E sobretudo que se tornem imprescindíveis no local de trabalho, aos olhos dos trabalhadores e dos empregadores.  Infelizmente, a sua imagem ainda é pouco lisonjeira, estando quase sempre associada  à prestação de "primeiros socorros".

(14) Luís Graça, 12/3/2001

Existe em Portugal, desde há pelo menos três anos, uma associação representando a área da enfermagem do trabalho: trata-se da ANET, tem sede no Porto (Escola Superior de Enfermagem São João) e o endereço na Web é o seguinte: http://www.terranatal.com/anet/ .

Nos dias 2, 3 e 4 de Maio próximo, a ANET [ Associação Nacional de  Enfermeiros do Trabalho ] realiza no Porto um encontro sobre saúde no trabalho. Nele estarão presentes representantes das associações congéneres de Espanha e do Brasil.

(15) Dr. Hipócrates, 12/3/2001

A maior parte dos enfermeiros que trabalham em empresas não são enfermeiros do trabalho. São enfermeiros dos hospitais que têm um "gancho" aqui ou ali. Não percebem nada de segurança, higiene e saúde no trabalho, não têm formação específica. Não quero com isto dizer que não haja umas boas dúzias de bons profissionais [ de enfermagem ] com tarimba na saúde ocupacional. Acho que eles têm um papel insubstituível nos serviços de segurança, higiene e saúde no trabalho. O problema é que não os há.

(16) Virgílio S., 17/3/2001

Por que não dizer o mesmo dos médicos, dos engenheiros, etc. ? Afinal, eles sabem tudo, fazem tudo. Tenho ideia que os enfermeiros, mesmo sem terem o canudo de enfermeiros do trabalho, são apreciados e estimados tanto pelos trabalhadores como pelos gestores. Também não percebo o porquê dessa separação entre a medicina curativa e a medicina preventiva. Afinal a saúde é só uma.

(17) João Rosa (*), 17/3/2001 

Não entende qual é a diferença ???!! No primeiro dia do meu estágio, o director do serviço de Higiene e Segurança  no Trabalho questionou-me [sobre] a diferença entre "a saúde e a medicina". Claro que a reposta é simples, da medicina cuidam os médicos e enfermeiros. Da saúde cuidam todas as outras áreas na qual tenta-se minimizar os efeitos de agressões aos quais os trabalhadores estão expostos continuamente no seu local de trabalho.

Será que é assim tão difícil verificar que cada coisa tem o seu lugar ? No mundo de globalização que se vive actualmente é necessário cada vez mais especializar as especializações. 

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(18)  Virgílio S., 20/3/2001

Já fui enfermeiro do trabalho. E não sei se gostaria de voltar a sê-lo, nas actuais circunstâncias.  Aliás, oficialmente nunca fui, nunca cheguei a ser enfermeiro do trabalho. Pus o problema à Direcção-Geral de Saúde. Disseram-me (da Divisão de Saúde Ocupacional) que a categoria nem sequer existia em Portugal. Exibi argumentos, números, exaltei-me, insultei-os. Da dita (Direcção-Geral), responderam-me, mal e porcamente, que o problema agora estava nas mãos da Ordem dos Enfermeiros (O.E.). Só sei que a sacanice foi deste Governo, e que agora há uma clara medicalização dos serviços de saúde ocupacional.  Querem pôr os enfermeiros a servir de criados dos médicos, tal como os técnicos de higiene e segurança, de nível III,  que são uma espécie de auxiliares dos engenheiros. Comigo, não contem. Ganhámos arduamente a batalha da autonomia técnica nos hospitais e demais serviços de saúde. Querem agora voltar à estaca zero nos serviços de medicina do trabalho, nas empresas.

Imaginem só: Dez anos de trabalho  num serviço interno de uma grande empresa!... Uma grande escola para mim, para todos nós (médicos, enfermeiros, técnicos de higiene e segurança, assistentes sociais, pessoal de apoio, uma verdadeira equipa de saúde ocupacional). Mas tudo isto, em vão, não serviu para nada...Ou talvez não. Fui ao site da O.E.: também em vão. Estão de férias, estão em reunião permanente, estão em reestruturação. Ri-me: os enfermeiros não têm férias. Não os deixam, é rapaziada activa na praça. Eles movem-se bem, embora discretamente: nos sindicatos, nos partidos do sistema, desde o PCP ao PSD, nas administrações dos hospitais... Refiro-me aos enfermeiros no masculino. O resto são 90% de mulheres, não contam, são facilmente encarneiradas, não estão motivadas nem preparadas para a liderança. Infelizmente, os machos dominam as estruturas de poder.  Falo por mim, que nunca me entendi com as colegas do sexo feminino no meu hospital: são uma praga de cagarras, par usar o nome de um pássaro da minha ilha.  Ainda por cima tenho agora que aturar as Carmen, as Dolores... Pessoalmente, também não me reconheço nas nossas actuais estruturas representativas. Sei que existe uma associação de enfermagem do trabalho, já ouvi falar de algumas pessoas respeitadas nesta área, mas estou desiludido, cansado. Não creio que o actual modelo de prestação de serviços externos venha favorecer o desenvolvimento da enfermagem de saúde ocupacional. Oxalá me engane, e os enfermeiros do trabalho voltem a conquistar o espaço que já tiveram nos serviços de saúde das empresas.  

(19) Rita, 21/3/2001

As suas dúvidas ou incertezas quanto ao futuro da enfermagem do trabalho em Portugal são legítimas. Já não digo o mesmo quanto ao seu machismo, à sua misoginia e à sua xenofobia. Se eu fosse enfermeira, portuguesa ou espanhola, e trabalhasse no seu hospital, desancava-o!

(20) Iluminado, 21/3/2001

Recém chegado a este fórum, permitam-me esclarecer algumas almas pensantes que navegam algo confusas por [ aqui ] . A enfermagem do trabalho portuguesa existe há bastantes anos. Participa activamente nos congressos da área, existe nos serviços de saúde ocupacional de qualidade. Existem centenas de enfermeiros do trabalho com formação específica ministrada em escolas oficiais de enfermagem . Existe uma associação (ANET) e neste momento promove junto da Ordem dos Enfermeiros [ OE ] a vantagem da criação de uma especialidade de enfermagem do trabalho. Parem de se lamentar com a ausência legislativa e provem na prática a imprescindibilidade da enfermagem do trabalho (...).
 

(21) Iluminado, 21/3/2001

Caro enfermeiro [ Virgílio S. ]: as circunstâncias para os bons enfermeiros do trabalho não mudaram. Não é a ausência legislativa que vai fazer desaparecer a enfermagem do trabalho, só se os enfermeiros quiserem. É lógico que com a [ recém] criada OE [ Ordem dos Enfernmeiros ] o título de enfermeiro do trabalho passa por ela. Será que a sacanice foi somente do governo? Os enfermeiros não têm responsabilidade? Eu penso que sim. Uma rectificação, já não existem serviços de medicina do trabalho, é termo do passado. Endereço da associação (ANET): http://www.terranatal.com/anet

(22) Dr. Hipócrates, 22/3/2001

Como médico do trabalho, não seria eu a vir pôr em causa a enfermagem de saúde ocupacional. Bem gostaria de ter um enfermeiro do trabalho na minha equipa, mas não tenho (nem me posso dar a esse luxo). Em todo caso discordo de si quando diz que a enfermagem existe nos "serviços de saúde ocupacional de qualidade". Como não há acreditação nem auditoria dos serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, é subjectivo falar-se em "serviços de qualidade"... O haver centenas (?) de enfermeiros com a especialidade em saúde ocupacional é outra afirmação sua que me surpreende. São 100, 200, 1000 ? Nunca vi essas estatísticas. Por outro lado, uma coisa são os "diplomados", outra coisa os que exercem efectivamente a especialidade ou a profissão. Veja o caso dos médicos do trabalho: muitos não exercem (talvez uns 40%), e os que o fazem é em part-time (talvez menos de 20 horas por semana em média). Quanto à associação, acho óptimo. Terão que ser mesmo os enfermeiros do trabalho a imporem-se no mercado do saber e do...trabalho. Em todo o caso, com a falta crónica de enfermeiros nos nossos hospitais e centros de saúde, não vejo que seja assim tão apetecível trabalhar na área da saúde ocupacional. Desejo-vos boa sorte.

(23) Dr. Hipócrates, 22/3/2001

É verdade que o termo serviços de medicina do trabalho já não existe oficialmente, é um termo do passado. Mas as coisas não mudam assim tão depressa... É ainda muito frequente escrever-se e dizer-se "serviços de saúde/medicina do trabalho" em contraponto aos "serviços de higiene e segurança no trabalho". Quanto à "culpa" dos enfermeiros, bom, é um problema sobre o qual não me compete [ a mim ] pronunciar.

(24) Iluminado, 23/3/2001

Grato pela sua apreciação. Quando falo que os enfermeiros do trabalho existem nos serviços de qualidade, pretendo reforçar a ideia [ de ] que só nos serviços em que se tenta exercer saúde no trabalho de qualidade é que os enfermeiros podem desempenhar as verdadeiras funções de enfermagem do trabalho. Nos outros efectuam funções generalistas. Claro que existem excepções.

Segundo esclarecimento: Não afirmei que existiam centenas de enfermeiros com a especialidade. Existem cerca de 170 enfermeiros licenciados, com formação específica - o Curso Superior de Estudos Especializados  (CESE) em  Enfermagem Comunitária com formação específica em saúde no trabalho - e cerca de 300 enfermeiros com formação contínua em saúde no trabalho, isto é, [ com ] cursos pós-laborais com duração de +/- 200 horas, ministrados em escola de enfermagem, associação ou instituto privado. A maioria dos enfermeiros que trabalham em SH&ST, é em part-time, mas  [ isso] não reduz as suas competências ou qualidades.

 (*) Fonte: Terravista > Fóruns > Saúde > Saúde e Segurança no Trabalho

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Última actualização: 9 de Fevereiro  de 2005 / Last update: Fevereiro 9,   2005.  

© Luís Graça (1999-2005). E-mail: luis.graca@ensp.unl.pt

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