Luís Graça: Textos sobre saúde e trabalho / Papers on health and work |
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93. Graça, L. (2000) - Evolução do Sistema Hospitalar: Uma Perspectiva Sociológica (II Parte): As Mudanças Estruturais do Hospital [The History of Hospitals, Part II: The Structural Changes ](a) |
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| 1. As Mudanças Estruturais do Hospital | |
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Neste conjunto de artigos sobre a história da saúde, das profissões de saúde e das organizações de saúde (com particular destaque para o hospital), interessa-nos basicamente compreender:
E mais especificamente:
Para poder responder a estas questões relevantes para os utentes de saúde, os investigadores, os decisores, os administradores, os políticos e os profissionais de saúde, importa conhecer a evolução histórica dos serviços de saúde, nomeadamente a partir do desenvolvimento do hospital cristão medieval e de outras instituições assistenciais ou similares. Apesar da sua autonomia relativa e da sua especificidade como organização, o hospital pode (e deve) ser visto da perspectiva da sociologia histórica. No essencial trata-se de saber quais foram os factores e quais foram os actores sociais que determinaram as mudanças estruturais do hospital ?
Por outro lado, procura-se saber qual foi (ou tem sido) o lugar e as funções do sistema de saúde, em geral, e do hospital, em particular, no interior das grandes mudanças sociais, políticas, económicas, culturais, científicas, técnicas e ideológicas que atravessaram as sociedades humanas, nomeadamente no Ocidente europeu e cristão . Segundo Steudler (1974), poder-se-ia analisar a evolução do sistema hospitalar (que se confundirá durante muito tempo com o sistema assistencial) duma perspectiva sociológica, a partir das relações que se estabelecem entre três tipos principais de actores:
Teórica e historicamente (ou lógica e cronologicamente), o sistema hospitalar, nos países ocidentais, teria passado por três fases, em relação estrutural com a evolução do sistema económico, social e político, segundo a tipologia proposta por Steudler (1974):
Como todas as tipologias e todas as periodizações, esta também é discutível. Steudler inspira-se explicita ou implicitamente na conhecida tipologia dos sistemas de trabalho (ou perfis de modernização): ao estudar a evolução técnica e a divisão do trabalho, Touraine (1973) identifica, na sucessão das três fases (A, B, C), as relações complexas entre:
Aplicado ao hospital, o conceito de sistema técnico caracterizaria as condições actuais do exercício da medicina hospitalar, marcadas não só por sucessivas tentativas de racionalização (financeira, económica e organizacional) como sobretudo por uma certa industrialização da produção hospitalar, no sentido que lhe dá Chauvenet (1973 e 1978), ou seja, o da decomposição do acto médico (entendido como a unidade de um processo de trabalho que inclui basicamente o diagnóstico, decisão terapêutica e o tratamento), numa série de intervenções complementares, efectuadas por pessoal especializado (médico e paramédico), no seio de unidades técnica e organizacionalmente diferenciadas. No caso português, cada uma destas fases poderia ter, em nossa opinião, a seguinte periodização:
Grosso modo, a primeira fase iria até ao fim do 1º período da Regeneração (ou do fontismo), ou seja, ao início histórico do desenvolvimento do capitalismo em Portugal. O ano de 1867 é o da publicação do nosso primeiro código civil (que irá estar em vigor até 1966); A segunda fase prolongar-se-ia até 1971, data da reforma sanitária que irá estar na origem da criação do actual Serviço Nacional de Saúde (em 1979) (Vd. Quadro I, em anexo). Trata-se apenas de pistas que poderão ser exploradas, desenvolvidas, aprofundadas e/ou reformuladas pela investigação historiográfica. Infelizmente, está em grande parte por fazer a história do sistema, da política, das organizações e das profissões de saúde em Portugal. Por um lado, falta-nos monografias sobre a evolução dos hospitais e demais serviços de saúde portugueses. Por outro, a nossa historiografia da saúde é claramente iatrocêntrica (quando não se resume à petite histoire), e tem sido cultivada preferencialmente por titulares das cadeiras de história da medicina, introduzidas nos finais do Séc. XIX e sobretudo em 1911, aquando da criação das Faculdades de Medicina de Lisboa e do Porto (por ex., Lemos, 1991, Pina, 1938, Mira, 1947). De um modo geral, a investigação historiográfica sobre as instituições de assistência e de saúde é escassa e dispersa, estando por explorar as valiosas fontes documentais que representam os arquivos de muitos dos nossos hospitais e misericórdias. Não temos, no entanto, nem o propósito nem a veleidade nem muito menos o tempo e a formação específica para nos abalançarmos à investigação de arquivo. Esta nossa incursão pelo passado, revisitando sem carácter sistemático nem exaustivo a literatura existente, não pretende senão retomar e explorar pistas para a compreensão da evolução do hospital português, como organização e como instituição, vista de uma perspectiva mais consentânea com a análise sociológica. Para além da actividade lúdica que é sempre a leitura de material historiográfico, propusemo-nos ao mesmo atingir um objectivo utilitário, que era o de produzir textos de apoio para os alunos dos cursos de especialização de administração hospitalar, de saúde pública e de medicina do trabalho da ENSP/UNL, bem como dos curso de mestrado de saúde pública. |
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(a) Extractos de: GRAÇA, L. (1996) - Evolução do sistema hospitalar: Uma perspectiva sociológica. Lisboa: Disciplina de Sociologia da Saúde / Disciplina de Psicossociologia do Trabalho e das Organizações de Saúde. Grupo de Disciplinas de Ciências Sociais em Saúde. Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa (Textos, T 1238 a T 1242). |
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| 1 | Antiguidade Clássica (Do Séc. V a.C. até ao fim do Império Romano do Ocidente) |
| 2 | Idade Média (477-1477) |
| 3 | Renascença e Início da Construção do Estado Moderno (1479-1620) |
| 4 | Antigo Regime (1620-1807) |
| 5 | Século XIX |
| 6 | Século XX |
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Última actualização: 21 de Abril de 2005 / Last update: April 21, 2005. |
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© Luís Graça (1999-2005). E-mail: luis.graca@ensp.unl.pt |
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