Luís Graça & Camaradas da Guiné Subsídios para a história da guerra colonial > Guiné (5) > Xime

 

 

Província Portuguesa da Guiné > Carta dos Serviços Cartográficos do Exército (1961)

 Mapa do Xime (1955)

 

 

 

O nosso álbum de fotografias (a)

 

Xime / Enxalé >

CCAÇ 1550 (1966/67)

CART 1746 (1967/69)

CART 2520 (1969/1970)

 CART 2715 (1970/71)

CART 3494 (1972/1973)

CCAÇ 12 (1973/74)
 

 (a) Um especial agradecimento ao   Sousa de Castro mas também ao David J. Guimarães, ao Humberto Reis e  ao Manuel Ferreira  que deram um importante contributo para a  construção desta página sobre o Xime. O Castro teve o mérito de ser o primeiro dos amigos e camaradas a contactar-me, dando origem à tertúlia  dos ex-combatentes e amigos da Guiné

©  Sousa de Castro (2005)

 

 

Xime (Zona Leste, Sector L1)

 

Guiné  > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1970:   Vista aérea do aquartelamento e da tabanca do Xime

 ©  Humberto Reis (2006)

 

Guiné  > Zona Leste > Sector L1 > Estrda Xime-Bambadinca > 1970 > Uma coluna da CCAÇ 12, entre Ponta Coli e Amedalai

 ©  Humberto Reis (2006)

 

Guiné  > Zona Leste > Sector L1 > 1970 > Destacamento do Rio Undunduma  1970 > Passeio de piroga

 ©  Humberto Reis (2006)

 

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > 2001 :  Restos do cais do Xime, no Rio Geba. Por aqui passaram milhares de viaturas e de homens a caminho do leste da Guiné, durante a guerra colonial. Os transportes faziam-se desde Bissau em Lanchas de Desembarques Grandes (LGD), da Marinha Portuguesa. Daqui seguiam para o leste (Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego/Gabu...) e para o sul (Bambadinca, Mansambo, Xitole, Saltinho; ou Bambadinca, Bafatá, Galomaro...). A distância do Xime a Bambadinca era à volta de 12 km  (sede da CART 3494, do  BART 3873, Jan. 1972 / Abr. 1974).  

© David J. Guimarães (2005)

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 2001 :   Rio Geba. O famoso macaréu

No Rio Amazonas é conhecido por pororoca. Em termos simples, o macaréu é uma onda de arrebentação que, nas proximidades da foz  pouco profunda de certos rios e por ocasião da maré cheia, irrompe de súbito em sentido oposto ao do fluxo da água. Seguida de ondas menores, a onda de rebentação sobe rio acima, com forte ruído e devastação das margens. Pode atingir vários metros de altura, mas tende a diminuir a sua força e envergadura à medida que avança.

 

© David J. Guimarães (2005)

Neste rio, ou nesta parte do rio que ainda é de água salgada, dois soldados da CART 3494, aquartelada no Xime, desapareceram, apanhados pelo macaréu numa operação ao Mato-Cão em 1972. Um terceiro camarada, doutra companhia, também desapareceu  (Informação do  Sousa de Castro).

 

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 1997 :   Rio Geba. Cais de desembarque em ruínas.

Por aqui passaram, durante a guerra (1963-1974), milhares e milhares de homens, viaturas , armas e demais material, desembarcados em LDM e LDG (Lanchas de Desembarque Médias e Grandes). A partir do Xime, o rio passava a designar-se por Geba Estreito, sendo navegável até Bafatá apenas através de pequenas embarcações civis ou LDP (Lanchas de Desembarque Pequenas). Entre as embarcações civis, destacava-se os barcos da famosa Casa Gouveia, ligada ao grupo CUF. O ataque a embarcações no Geba Estreito era frequente, obriga à realização de patrulhamentos ofensivos na região de Mato Cão. O Eng. Humberto Reis voltou à Guiné em 1996, onde esteve oito dias. Conciliou as razões profissionais que o lá levaram, com a vontade de fazer a romagem sentimental aos sítios por tinha andado, durante a guerra, desde Maio de 1969 até Março de 1971.

©  Humberto Reis  (com a colaboração do Braima Samá) (2005)

"Esta e outras fotos sobre Bambadinca e a região, incluindo o Xime, foram tiradas pelo meu amigo Zeca Braima Samá, professor lá em Bambadinca, em 1997. Eu mandava-lhe uma máquina daquelas descartáveis pelo meu amigo Ten. Cor. Danif, o filho da D. Rosa de Bafatá, dizia-lhe o que queria que ele fotografasse, e quando terminava o rolo ele ia a Bissau, pois eu mandava-lhe sempre dinheiro para isso, entregar a máquina ao Danif para ele trazer quando regressasse a Portugal.  Aqui está uma maneira expedita de fazer reportagem fotográfica por correspondência".

"Nesta foto, por exemplo, vêem-se restos arqueológicos do cais do Xime. Sobre este cais passaram dezenas de milhares de botas e até passou tanto saco de cimento que consegui comprar o suficiente para encher um Unimog 404 (o grande, a gasolina), destinado a cimentar o campo de futebol de salão que a CCAÇ 12  começou a fazer em Bambadinca nas traseiras dos alojamentos dos oficiais. O 1º sargento de engenharia que lá estava nem sonhou de onde tinha vindo o cimento".

 

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime> 1969:  A LDG (Lancha de Desembarque Grande) 105 pronta a descarregar mais um contingente de tropas no cais do Xime, a caminho da Zona leste. Ou, como diz o fotógrafo, "LDG a abicar no cais do Xime em Novembro de 1969 com mais uma carga de carne para canhão". O Geba Estreito, a partir do Xime, só agora navegável através de LDM e LDP.

©  Humberto Reis (2005)

 

 

Base Naval de Lisboa (2005) > A Marinha Portuguesa procedeu à monumentalização da LDM 119 (foto à esquerda), construída em 1973 no Arsenal do Alfeite e abatida em 1997, em homenagem às guarnições das Lanchas de Desembarque que serviram em África (1961/74). O monumento foi erigido, em 2005, na Base Naval de Lisboa, à entrada da Base de Fuzileiros. 

Entre 1961 e 1976, foram construídas 65 LDM e 26 LDP (foto à direita), dois terços das quais se destinaram à Guiné .  As LDM dispunham de uma peça Oerlinkon Mk II de 20 mm e duas metralhadoras MG 42, a sua velocidade máxima era na ordem dos 9 nós e podiam transportar uma força de 80 homens.
 

Fonte: © Revista da Armada (2005)

 

 

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 1997 :    Tabanca de Amedalai (outrora  sede um destacamento de milícias, alvo de frequentes ataques do IN). Situa-se  entre o Xime e a ponte do Rio Undunduma na estrada para Bambadinca

 ©  Humberto Reis  (com a colaboração do Braima Samá) (2005)

 

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 1997 :   Povoação do Xime. Casas da época colonial e miúdos (djubis). Durante a guerra, faziam parte do próprio aquartelamento do Xime. "Era o posto de géneros e bar-cantina das praças". Um dos camaradas que lá voltou em Novembro de 2000, recorda que há vezes não havia mais nada senão cerveja...

©  Humberto Reis (com a colaboração do Braima Samá) (2005)

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 1997 :   "Ex-refeitório das praças"

©  Humberto Reis (com a colaboração do Braima Samá) (2005)

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 1997 :   "Ruínas de uma antiga caserna de praças"

©  Humberto Reis (com a colaboração do Braima Samá) (2005)

 

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 2001:   Uma cabana no mato. No tempo da guerrilha, encontrava-se este tipo de construção  (fácil, rápida e barata) nos acampamentos temporários do IN.

© David J. Guimarães (2005)

 

Guiné-Bissau > Zona Leste > Xime > 2001 :   Restos dos abrigos do aquartelamento e povoação do Xime. Para além das NT, o Xime também albergava um núcleo de população de etnia maioritariamente mandinga. Foi lá viveu e estudou, enquanto djubi, o nosso amigo José Carlos Mussá Biai.

© David J. Guimarães (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972: Obus 10,5 (ou 105 mm). No aquartelamento do Xime,  existiam três obuses deste calibre e um morteiro 81 m/m. Eram estas as armas pesadas que existiam em 1972.    As mesmas que existiam em Junho de 1969.

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972: O espaldão do morteiro 81 m/m. O Castro simulando um disparo desta arma pesada. Vejam-se,  no muro atrás, as regulações de tiro.

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:   A tabanca (mandinga), situada dentro do perímetro do aquartelamento.  A população local também sofreu muito com a guerra (flagelações, ataques, participação em operações dos guias e picadores locais...). Que o diga o Eng. José Carlos Mussà Biai que era filho do chefe religioso da comunidade e que lá viveu a guerra e fez a escola, enquanto miúdo (djubi). Por parte das NT, não havia porém total confiança nos mandingas do Xime. Era aqui que vivia o Seco Camará, o melhor guia da região, morto em 26 de Novembro de 1970 (Op Abencerragem Candente).

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:   Tabanca de transmissões (à esquerda) e posto de rádio (à direita)

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:    (i) vista parcial do aquartelamento (foto à esquerda); (ii) entrada para o quartel e, ao fundo, aquilo a que se chamava o "refeitório" (foto à direita)

©  Sousa de Castro (2005)

 

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:    Vistas parciais do aquartelamento

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:     O Castro com uma mascote, um pequeno símio. Uma foto inocente, com uma nota de exotismo, que servia para mandar  para a Metropóle, com o aerograma semanal, tranquilizando a família e os amigos.  Data: 20 de Abril de 1972

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972 :      Militares da CART 3494... Dia de leitão, dia de festa! Os sabores da santa terrinha... mesmo que o leitão tenha sido roubado nalguma tabanca  balanta das redondezas... No Xime não podia ser, que a população era mandinga, logo islamizada, não fazendo por isso criação de porcos.

 © Manuel Ferreira  (2005)

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:       O Manuel G. Ferreira, soldado condutor auto, dos "Fantasmas do Xime" (CART 3494), ali aquartelados (1972/73). A viatura é um famoso "burrinho" (Unimog 411).

 © Manuel Ferreira  (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972:  Militares da CART 3494, em passeio despreocupado pela tabanca do Xime

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972:  O Castro mais um camarada no recinto do aquartelamento

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972:  Militares da CART 3494, confraternizando, à mesa. Na ponta direita, o Castro.

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime > 1972: Feliz Natal e Próspero Novo... O postal de Natal da praxe, ques e mandava aos familiares e amigos

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Região Leste > Xime > 1972:     0 1º cabo radiotelegrafista Castro operando o Rádio AN-GRC-9

©  Sousa de Castro (2005)

 

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Xime> 1972:  A ideologia da guerra colonial (1)...

©  Sousa de Castro (2005)

 

Créditos fotográficos

© David J. Guimarães > Fotos gentilmente cedidas  por David J. Guimarães, ex-furriel miliciano da CART 2716, aquartelada no Xitole (1970/1972), e pertencente ao BART 2917, sedeado em Bambadinca.

 ©  Humberto Reis > Fotos gentilmente cedidas  por  Humberto Reis, ex-furriel miliciano da CAÇ 12, unidade de intervenção ao serviço do Sector L1 / Zona Leste, com sede em Bambadinca (1969/71).

© Jorge Santos > Fotos gentilmente cedidas  por   Jorge Santos, 1º Grumete Fuzileiro, DFA,  Comp. Fuzileiros nº 4, Metangula / Cobué, Moçambique (1968/70)
©  > Manuel Ferreira > Fotos gentilmente cedidas  por Mnauel G. Ferreira, ex-soldado condut or auto,  da CART 3494 (1972/74), aquartelada no Xime (1972/73) e depois em Mansambo (1973/74),  pertencente ao   BART 3873 (1972/1974), com sede em Bambadinca.
©  Sousa de Castro > Fotos gentilmente cedidas  por Sousa de Castro,  o ex-1º cabo radiotelegrafista Castro,  da CART 3494 (1972/74), aquartelada no Xime (1972/73) e depois em Mansambo (1973/74),  pertencente ao   BART 3873 (1972/1974), com sede em Bambadinca.
 

 

 

O nosso álbum de fotografias >  

 

 

Última actualização:  24 de Julho  de 2006  / Last update: July 24  2006  

© Luís Graça (1999-2006) .  E-mail: luis.graca@ensp.unl.pt

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