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Luís Graça: Textos sobre saúde e trabalho / Papers on health and work |
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87. Graça, L. (2000) - Evolução do Sistema Hospitalar: Uma Perspectiva Sociológica (III Parte). Europa: O Sistema Tradicional (1096-1867) [The History of Hospitals, Part III. Europe: The Traditional System (1096-1867) ](a) |
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L’hôpital est l’une des créations originales des villes médiévales de l’Occident chrétien. L’étymologie du terme est très éclairante, non seulement sur l’histoire de l’institution mais également sur son acception contemporaine. « La maison des hôtes », domus hospitalis, est devenue au Moyen Âge un nom, l’hospitalis. Le mot vient lui-même de hostis, l’étranger, qu’il soit un ami, un « hôte », ou un ennemi, un être « hostile ». L’hôpital est bien ce lieu à double facette, les deux faces de Janus, à la fois attraction et répulsion. Il traduit toutes les ambiguïtés d’un espace d’abord destiné aux indigents et aux vieillards, indépendamment de toute maladie, puis aux maladies hypertechniques, avant d’être rattrapé par son passé avec l’arrivée de personnes précaires pour qui l’hôpital est bien souvent l’ultime recours. In "L'histoire de l'hôpital" Fédération Hospitalière de France (2005.02.06) O hospital é uma das criações originais das cidades medievais do Ocidente cristão. A própria etimologia do termo é muito esclarecedora, não só sobre a história da instituição como também sobre a sua acepção contemporânea. A casa dos hóspedes, a domus hospitalis, tornou-se na Idade Média um nome, o hospitalis, que por sua vez vem de hostis, o estrangeiro, quer se trate de um amigo, de um hóspede, ou de um inimigo, um ser hostil. O hospital é, de certo, este lugar com uma dupla faceta, as duas faces de Janus, ao mesmo tempo atracção e repulsão. Traduz todas as ambiguidades de um espaço, primordialmente destinado aos indigentes e aos velhos, independentemente de toda e qualquer doença, e depois aos doenets hipertécnicos, antes de ser recupoerado pelos eu passado com a chegada de pessoas precárias para quem o hospital é muitas vezes o último recurso. In "L'histoire de l'hôpital" Fédération Hospitalière de France (2005.03.27) (tr. de L. G.)
O peixe e o hóspede aos três dias fedem (provérbio português) |
| 1. Introdução: O Domínio Ideológico, Cultural e Administrativo da Igreja | ||
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Na Europa, e nomeadamente em França (Steudler, 1974), esta fase vai, grosso modo, da Alta Idade Média até meados do Séc. XIX, ou seja, até à consolidação do poder económico e político de uma nova classe social (a burguesia) e, com ela, a formação do Estado moderno. Trata-se, sem dúvida, de um período demasiado longo, de catorze séculos, que, só por uma questão de economia de análise, não é subdividido. Em rigor, poderíamos considerar dois ou até mais períodos: (i) a Idade Média (que, por convenção, vai do fim do império romano do Ocidente até à tomada de Constantinopla, em 1453, pelos otomanos); (ii) e o Antigo Regime (até às vésperas da revolução francesa, em 1789). Numa perspectiva de história comparada, teríamos ainda que considerar um período intermédio que faz a ponte de ligação entre o mundo medievo e o Antigo Regime: a expansão europeia, por via dos descobrimentos, o renascimento e o movimento da reforma (Rodrigues, 1996). Durante a Alta e Baixa Idade Média, a Igreja vai dominar, ideológica, política e administrativamente, o sistema tanto de assistência como de ensino. Com o Ancien Régime, esboça-se uma intervenção do poder central, nomeadamente através de (i) uma política de centralização dos hospitais e da (ii) tentativa de uniformização da sua orgânica e funcionamento. O Século das Luzes e a Revolução Francesa, por seu turno, vêm definitivamente pôr em causa o monopólio do conhecimento e da assistência e os demais privilégios de que a Igreja até então gozava. Porquê prolongar-se esta primeira fase da evolução do sistema hospitalar até meados do Séc. XIX ? É uma periodização, aparentemente arbitrária, mas que remete para a noção de mudança de paradigma. Na realidade, só então faz sentido falar-se em dupla ruptura: (i) ruptura epistemológica, mais evidente, da medicina ocidental com a tradição arábico-galénica que praticamente dominou todo o ensino e o exercício da "arte de curar" ao longo deste período; e (ii) ruptura, menos óbvia, com o modelo institucional e organizacional do hospital que herdámos do cristianismo medieval. Para a análise da problemática em questão, os dois factos mais salientes no final deste período são:
Na realidade, e contrariamente a uma visão iatrocêntrica da medicina, o triunfo da medicina tem apenas cem anos, e o hospital está longe de ser, até então, o palco do protagonismo médico. O divórcio entre o hospital e a universidade ainda irá prolongar-se até ao final do Séc. XIX, enquanto à margem de um e outro se vai afirmando o laboratório (Institutos Pasteur, em França, Kaiser, na Alemanha, e Rockefeller, nos EUA), em grande parte responsável pela aceleração da especialização médica e pela futura dicotomia entre as especialidades clínicas e as especialidades técnicas. Todavia, sem a reforma hospitalar da segunda metade do Séc. XIX, os progressos da medicina e da cirurgia teriam sido seguramente bem mais lentos. Au vol d’oiseau, irei abordar a seguir alguns dos traços que me parecem mais característicos desta fase, a da lenta afirmação do hospital como lugar de acolhimento dos doentes pobres e como lugar de passagem, primeiro, e local de trabalho, depois, da elite médica:
Vejamos mais detalhadamente cada um destes traços que caracterizam a evolução do hospital tradicional na Europa. Ao longo do texto, há referências mais amiudadas a França na medida em que é maior, neste país, o número de estudos monográficos, de dados estatísticos e de outra documentação (museológica, iconográfica, etc.) sobre os hospitais, nomeadamente do Antigo Regime. Há, inclusivamente, uma Société Française d' Histoire des Hôpitaux, criada em 1958 sob a égide da Federação Hospitalar de França e a Federação Internacional dos Hospitais (International Hospital Federation). | |
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(a) Extractos de: GRAÇA, L. (1996) - Evolução do sistema hospitalar: uma perspectiva sociológica. Lisboa: Disciplina de Sociologia da Saúde / Disciplina de Psicossociologia do Trabalho e das Organizações de Saúde. Grupo de Disciplinas de Ciências Sociais em Saúde. Escola Nacional de Saúde Pública. Universidade Nova de Lisboa (Textos, T 1238 a T 1242). | ||
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Última actualização: 27 de Março de 2005 / Last update: March 27, 2005. |
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© Luís Graça (1999-2005). E-mail: luis.graca@ensp.unl.pt |
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