Diretora da ENSP NOVA defende inovação com impacto e centrada nas pessoas para garantir sustentabilidade
Fotografia da sala do evento da Médis.

Diretora da ENSP NOVA defende inovação com impacto e centrada nas pessoas para garantir sustentabilidade

Publicada: 01.08.2025

Para a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), Sónia Dias, “a inovação só faz sentido se tiver impacto real e se for adequada aos contextos em que se aplica”. Esta premissa, defendeu Sónia Dias, é essencial para a sustentabilidade dos sistemas de saúde e da própria sociedade. A partilha foi feita no âmbito de um fórum promovido pela Médis, dedicado ao tema da sustentabilidade em saúde, que reuniu especialistas de diferentes áreas para refletir sobre os caminhos possíveis para a transformação dos sistemas de saúde.

A responsável começou por salientar, no evento que decorreu em Lisboa, no dia 9 de julho, que, embora se fale muito de inovação em saúde, muitas vezes o problema não está na ausência de ideias novas, mas na sua falta de adaptação à realidade concreta. “Há inovação, mas muitas vezes ela falha porque não tem impacto. E falha porque não é adaptada aos contextos”, sublinhou. Usando uma imagem metafórica, reforçou: “É como uma semente que pode ser muito boa, mas se não for adaptada ao solo onde vai crescer, não vinga”.

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Para Sónia Dias, é urgente alargar o conceito de inovação, que não pode estar limitado às dimensões tecnológicas ou biomédicas. “Temos de trabalhar a inovação organizacional, a forma como se prestam cuidados, como se planeiam e avaliam intervenções, como se mobilizam diferentes setores”, afirmou. A diretora da ENSP NOVA defendeu ainda que é esta abordagem mais abrangente que permitirá responder aos desafios de um sistema de saúde sob pressão, com crescentes exigências demográficas, epidemiológicas e económicas.

Outro ponto central da sua intervenção foi o papel da avaliação de impacto como parte integrante do processo inovador. “Temos de perceber o que funciona, para quem, em que circunstâncias e com que impacto. Não podemos continuar a implementar intervenções sem avaliar”, afirmou, reforçando, ainda, que esse processo de avaliação não é apenas técnico, mas também social e político, pois permite ajustar políticas públicas àquilo que realmente faz diferença na vida das pessoas.

A diretora da ENSP NOVA destacou também a necessidade de envolver os diferentes atores desde o início da conceção das soluções. “Temos de trabalhar com quem está no terreno, com quem presta cuidados, com quem desenha políticas e com as pessoas que são destinatárias das intervenções. Esse trabalho conjunto permite desenhar soluções que são apropriadas e mais eficazes”, afirmou.

Por fim, Sónia Dias apelou a uma mudança de paradigma, colocando a pessoa no centro e promovendo abordagens interdisciplinares e intersetoriais, com impacto medido e demonstrado. “Não basta inovar por inovar. É preciso que a inovação contribua para a equidade, para a eficiência e para a sustentabilidade dos sistemas de saúde”, concluiu.