Investigador da ENSP NOVA destaca peso económico das doenças cérebro-cardiovasculares em conferência do Observador
Fotografia de Francisco Madeira na conferência.

Investigador da ENSP NOVA destaca peso económico das doenças cérebro-cardiovasculares em conferência do Observador

Publicada: 15.02.2026

Francisco Madeira, bolseiro de investigação da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), participou como orador no painel Políticas de saúde: vamos fazer as contas”, integrado no evento “Debater para avançar”, promovido pelo Observador no âmbito do projeto Arterial, dedicado às doenças cérebro-cardiovasculares.

O debate, que decorreu no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, centrou-se no impacto económico destas patologias e nas opções de política pública necessárias para melhorar a eficiência do sistema de saúde, reunindo decisores, investigadores e representantes institucionais.

Na sua intervenção, Francisco Madeira apresentou dados de um estudo longitudinal que analisou, ao longo de 21 anos, os custos associados ao tratamento das síndromes coronárias agudas, incluindo o enfarte agudo do miocárdio. De acordo com os resultados, o custo acumulado destes episódios atingiu cerca de 1,8 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 1% do orçamento anual do Serviço Nacional de Saúde, evidenciando o peso significativo destas doenças na sustentabilidade do sistema.

O investigador explicou que a maior fatia dos custos está associada a internamentos, cirurgias e dispositivos médicos, sublinhando ainda a evolução do custo médio por doente ao longo do tempo. Após um período de aumento até 2011, reflexo de abordagens mais intervencionistas, registou-se uma redução dos custos médios, associada à adoção de práticas clínicas mais conservadoras. A exceção foi o ano de 2020, marcado pela pandemia, em que o agravamento do estado clínico dos doentes à chegada aos hospitais voltou a elevar os custos.

Para Francisco Madeira, estes dados reforçam a importância da prevenção como estratégia central, não apenas para melhorar a qualidade de vida dos doentes, mas também para aumentar o custo-benefício das respostas em saúde. O bolseiro de investigação defendeu igualmente a necessidade de medir, monitorizar e cruzar dados de forma sistemática, condição essencial para apoiar decisões informadas e políticas públicas mais eficazes no combate às doenças cérebro-cardiovasculares.

A participação da ENSP NOVA neste debate insere-se no seu compromisso com a produção e disseminação de evidência científica relevante para a definição de políticas de saúde, contribuindo para uma abordagem mais integrada, eficiente e sustentável dos grandes desafios do Serviço Nacional de Saúde.

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Imagem: © Observador