A Universidade NOVA de Lisboa acolheu, entre os dias 2 a 5 setembro, 2.ª Conferência Mundial sobre Migração e Saúde, que reuniu em Lisboa especialistas internacionais, académicos, decisores políticos e representantes de organizações multilaterais para debater os desafios e as soluções na intersecção entre saúde e migrações.
A conferência, organizada pela GSMERH, reforçou a necessidade de colocar os direitos humanos, a equidade no acesso aos cuidados de saúde e a cooperação internacional no centro das políticas públicas. Docentes e investigadores da ENSP NOVA tiveram um papel ativo quer na organização do evento, quer como palestrantes e moderadores em várias sessões.
A diretora da ENSP NOVA, Sónia Dias, coorganizadora do evento, destacou que “esta conferência demonstra como a saúde não pode ser pensada de forma isolada: está profundamente ligada a determinantes socioeconómicos, culturais e políticos que influenciam a saúde e bem-estar das populações e a equidade no acesso aos cuidados. Ao integrar perspetivas sobre migração sublinha-se a importância de políticas públicas sensíveis à diversidade e ajustadas à complexidade dos contextos sociais contemporâneos.”

“Portugal é reconhecido como um exemplo de país com políticas públicas eficazes para a integração de migrantes, potenciando os seus contributos para o desenvolvimento económico e social. A ENSP NOVA marcou presença em várias mesas e debates, partilhando a sua investigação e reforçando o compromisso da Escola em articular ciência, políticas públicas e direitos humanos no campo da saúde global. Para a ENSP NOVA, estar envolvida nesta conferência é também afirmar a nossa missão de formar profissionais e produzir conhecimento que respondam a estes desafios, contribuindo para o fortalecimento e a inovação do sistema de saúde”, reforçou Sónia Dias.
Um dos testemunhos mais marcantes foi o de uma aluna de doutoramento da ENSP NOVA, investigadora síria em saúde pública, que chegou a Portugal através de um programa humanitário. “Tive de deixar o meu país em plena guerra, trazendo apenas uma mala com sonhos e memórias. Recomeçar foi difícil. Uma nova língua, uma nova cultura, o afastamento da minha família… Mas a educação tornou-se a minha âncora. Hoje, transformo a minha experiência em investigação para que a saúde dos migrantes seja reconhecida como um direito essencial”, disse.

Seguiram-se as intervenções de responsáveis internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, a Organização Internacional do Trabalho e as Nações Unidas, que destacaram o papel pioneiro de Portugal no impulso da Resolução da Assembleia Mundial da Saúde sobre minorias étnicas (2008) e sublinharam que a saúde dos migrantes é uma prioridade central para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
O GSMERH 2025 contou com dezenas de mesas-redondas, painéis e workshops, cobrindo temas como saúde dos migrantes e refugiados, determinantes sociais e ambientais da saúde, integração da inteligência artificial e novas tecnologias na prestação de cuidados e políticas de solidariedade internacional face às crises climáticas e conflitos armados, entre outros. O GSMERH 2025 representou com um apelo coletivo para que a migração seja vista não apenas como um desafio, mas também como uma oportunidade para sociedades mais inclusivas, inovadoras e resilientes.

