Projetos CONCORDIA apresentam perceções de doentes e profissionais sobre o impacto das doenças crónicas
Fotografia de Sónia Dias, diretora da ENSP NOVA, a discursar na sessão de abertura.

Projetos CONCORDIA apresentam perceções de doentes e profissionais sobre o impacto das doenças crónicas

Publicada: 27.10.2025

A Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) organizou uma sessão pública de apresentação dos resultados de três projetos CONCORDIA, dedicados à Diabetes Mellitus tipo 2, Insuficiência Cardíaca e Doença Renal Crónica.

O evento reuniu investigadores, profissionais de saúde, representantes de associações e outros interessados em debater o impacto destas doenças crónicas e as diferentes perceções sobre a gestão da saúde.

O encontro, que decorreu no dia 8 de outubro, no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, contou, na sessão de abertura, com a diretora da ENSP NOVA, Sónia Dias, e com o diretor médico da AstraZeneca, Hugo Martinho, empresa parceira do projeto. Ambos realçaram a importância do projeto CONCORDIA e manifestaram satisfação com os resultados alcançados.

“Os sistemas de saúde só podem ser verdadeiramente eficazes quando se constroem com base nas pessoas e nas suas realidades, e não apenas sobre elas”, sublinhou Sónia Dias, destacando que o CONCORDIA “representa uma nova forma de fazer ciência, aberta, colaborativa e centrada nas pessoas”.

A investigadora Ana Rita Pedro, da ENSP NOVA, que coordena o CONCORDIA, apresentou os resultados já alcançados pelos estudos, que identificaram as principais preocupações, impactos e constrangimentos sentidos pelos doentes, assim como as perceções dos profissionais de saúde. Uma das principais conclusões do trabalho aponta para que os profissionais tendam a ter uma perceção mais negativa do impacto das doenças do que os próprios doentes. No caso da diabetes tipo 2, os doentes identificaram mesmo alguns impactos positivos, como um maior autocuidado, o que nem sempre é reconhecido pelos profissionais.

Seguiu-se a sessão “Construir pontes: A comunicação como pilar na gestão da doença crónica”, conduzida por Paulo Santos, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Seguiu-se o debate “Do desafio à solução: Como alinhar perspetivas para otimizar a gestão da doença crónica?”, moderado pelo jornalista João Moleira.
O debate contou com a participação de Aida Cruz Mendes (antiga Presidente do Conselho Nacional do Ensino Público de Enfermagem), Ema Paulino (Presidente da Associação Nacional das Farmácias), Idalina Beirão (Presidente do Conselho Nacional de Ensino e Educação Médica, Ordem dos Médicos), Jaime Melancia (Presidente da Plataforma Saúde em Diálogo), Miguel Castelo-Branco (Membro do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas) e Tiago Villanueva (Presidente da European Union of General Practitioners). Durante este debate, houve espaço para perguntas do público, reforçando a natureza colaborativa e participativa do evento.

Entre as conclusões apresentadas, destacou-se a necessidade de reconhecer a comunicação como ferramenta terapêutica, promover a escuta ativa e valorização da experiência dos doentes e integrar dimensões como qualidade de vida, autonomia e literacia em saúde nos modelos de avaliação clínica.

“O CONCORDIA recorda-nos que a inteligência mais valiosa continua a ser a inteligência coletiva, aquela que nasce do diálogo, da colaboração e do envolvimento de todos”, acrescentou Sónia Dias, reforçando o papel da ENSP NOVA em “transformar conhecimento em ação e aproximar a ciência das políticas e das pessoas”.

Os projetos CONCORDIA evidenciaram que envolver os doentes na prestação de cuidados permite tornar os sistemas de saúde mais humanos, eficazes e alinhados com as necessidades reais das pessoas.

O evento terminou com um momento de networking, permitindo a troca de experiências e ideias entre os participantes, reforçando o compromisso da ENSP NOVA com a promoção de cuidados centrados nas pessoas e baseados na evidência científica.