Health Data Forum: Global Hybrid Summit 2022
Health Data Forum: Global Hybrid Summit 2022

Health Data Forum: Global Hybrid Summit 2022

Publicada: 29.11.2022

São sobretudo os impactos negativos da pandemia Covid-19 na sua vida que as pessoas destacam no Barómetro Covid-19: Opinião Social, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP-NOVA) que foi hoje apresentado na reunião “Covid-19: Situação Epidemiológica em Portugal”, no Infarmed, pela Diretora da ENSP-NOVA, a Professora Sónia Dias.
Mantendo o compromisso de monitorizar as perceções da população ao longo dos quase três anos da pandemia de Covid-19, a ENSP-NOVA atualizou a recolha de dados, junto de mais de três mil participantes, para compreender como se posiciona a população na fase atual de evolução da pandemia.

Perspetivas sobre impactos da pandemia: uma pandemia,
vivências diferentes

Os resultados mostram que a maioria (83%) dos portugueses inquiridos destaca apenas impactos negativos da pandemia nas suas vidas e das suas famílias, embora 1 em cada 10 participantes reporte experiências positivas.
A recuperação dos efeitos negativos nas relações com familiares e amigos, que se traduziram num maior isolamento e redução dos contactos, estão no centro das preocupações da maioria (66%) dos inquiridos. De destacar ainda que 33% dos inquiridos reportou um agravamento da saúde mental (33%), incluindo sofrimento psicológico (ansiedade e depressão), embora uma pequena minoria tenha relatado uma maior sensação de bem-estar e qualidade de vida. De facto, o que é apontado como um contexto de adversidade pela maioria, parece ter-se traduzido numa oportunidade para alguns: a obrigatoriedade de teletrabalho e os períodos de confinamento, que representaram para a maioria uma elevada sobrecarga, cansaço e fator de stress, para outros permitiram estreitar laços familiares e passar mais tempo de qualidade com a família, potenciando o bem-estar e a saúde.
Quando se analisam os impactos negativos, também se verificam diferenças na forma como diversos grupos populacionais reportam os efeitos da pandemia. De forma global, são as mulheres quem mais refere que as relações interpessoais pioraram durante a pandemia (67% mulheres comparativamente a 51% homens), bem como a saúde mental (33% mulheres comparativamente a 26% homens).
“Estamos perante uma pandemia de Covid-19, mas claramente diferentes vivências. Por exemplo, os mais jovens reportaram mais impactos negativos na saúde mental, educação e situação económica; os mais de 65 anos mais impactos nas relações com familiares e amigos e a população ativa fundamentalmente consequências adversas na sua situação profissional” – salienta Sónia Dias, coordenadora do estudo e Diretora da ENSP-NOVA. Adicionalmente, são os participantes com menores rendimentos quem mais reporta um impacto negativo na sua saúde física, situação económica e profissional. “Estes dados confirmam os impactos desiguais da pandemia de acordo com as circunstâncias de vida das pessoas, apontando um agravamento de situações de vulnerabilidade socioeconómica.” – acrescenta.