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A Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) esteve representada no 49.º World Hospital Congress, que decorre em Seul, na República da Coreia, entre 20 e 22 de outubro, reforçando a sua participação nos principais espaços internacionais de reflexão sobre gestão, inovação e transformação dos sistemas e organizações de saúde. A participação incluiu intervenções no programa científico e apresentação de investigação em áreas como cuidados integrados, literacia em saúde, obesidade, inteligência artificial, competências digitais, cancro e novos modelos de cuidados.
A comitiva integra a diretora da ENSP NOVA, Sónia Dias, o subdiretor, Rui Santana, docentes, investigadores e estudantes da Escola, entre outros, num programa que cruza participação científica, networking internacional e contacto com modelos e experiências de diferentes sistemas de saúde.
A presença no Congresso integra também a visita de estudo internacional promovida no âmbito do Curso de Especialização em Administração Hospitalar (CEAH), que está a permitir a estudantes e profissionais conhecer diretamente o sistema de saúde sul-coreano, instituições hospitalares de referência e tendências internacionais na gestão em saúde.
ENSP NOVA no debate internacional sobre novos modelos de cuidados
A participação da Escola no programa científico começou na terça-feira, 20 de outubro, com Sónia Dias, que integrou a sessão “Strengthening access: Partnerships in care pathways”, dedicada a modelos que aproximam os cuidados das comunidades e reforçam acesso, equidade e integração.
A diretora da ENSP NOVA apresentou a experiência portuguesa na área da Prescrição Social, com foco no reforço de cuidados integrados e centrados na pessoa junto de populações mais velhas, a partir da experiência de um projeto-piloto desenvolvido na região do Algarve.
A participação enquadra-se numa área em que a ENSP NOVA tem vindo a desenvolver conhecimento, investigação e capacidade de implementação, explorando formas de aproximar os serviços de saúde dos recursos existentes nas comunidades e de responder de forma mais integrada aos determinantes sociais da saúde.
Nos dias seguintes, outras investigadoras da Escola integraram igualmente o programa científico.
Ana Rita Pedro, investigadora da ENSP NOVA, participou na sessão “Smarter pathways: Transforming the medical care of patients”, apresentando investigação sobre doença renal crónica e a necessidade de aproximar as perspetivas dos doentes e dos profissionais de saúde no desenho dos percursos de cuidados.
Ana Gama, investigadora da ENSP NOVA, participou na sessão “Transforming the patient journey: Connected care, better experiences”, dedicada à transformação da experiência do doente através de modelos integrados e centrados na pessoa. A sua intervenção incide sobre literacia em saúde, perceção corporal e consciência sobre a obesidade, num painel orientado para formas de reduzir fragmentação e melhorar a experiência ao longo do percurso de cuidados.
Já Teresa Magalhães, professora da ENSP NOVA, moderou a sessão “International patients and partnerships: Expanding access and building global capacity”, integrada no eixo de Liderança do Congresso. O painel reuniu especialistas internacionais para discutir o papel das parcerias na resposta às necessidades de doentes internacionais, na ampliação do acesso aos cuidados e no desenvolvimento de capacidade à escala global.
“Estar presente num fórum internacional desta dimensão permite-nos não apenas partilhar o conhecimento produzido na ENSP NOVA, mas também participar na discussão sobre os modelos de cuidados e de gestão que estão a transformar os sistemas de saúde. A nossa presença em áreas tão diversas mostra precisamente a amplitude da Saúde Pública e a importância de aproximar investigação, formação, decisão e prática”, destaca Sónia Dias, diretora da ENSP NOVA.
Investigação da ENSP NOVA em destaque
A participação da Escola estende-se também à apresentação de vários trabalhos científicos em formato poster, refletindo a diversidade das áreas de investigação desenvolvidas na ENSP NOVA.
Um dos trabalhos, liderado por Ana Rita Pedro, que conta também com Catarina Simões, analisa as necessidades de apoio formal e informal de pessoas com amiloidose hereditária por transtirretina (ATTRv) em Portugal. A investigação, baseada em 282 participantes, identifica lacunas no apoio domiciliário e no acompanhamento quotidiano e aponta para a necessidade de modelos híbridos e longitudinais de cuidados que ultrapassem uma resposta predominantemente hospitalar.
Outro poster, com participação de Ana Gama, Julian Perelman, Inês Fronteira, Patrícia Marques e Sónia Dias, apresenta resultados do projeto EquityCancer-LA, centrado na adaptação e implementação de uma intervenção multicomponente destinada a melhorar o diagnóstico precoce de cancro em redes públicas de saúde do Chile, Colômbia e Equador. Os resultados mostram como um enquadramento comum pode ser adaptado a contextos distintos e como abordagens participativas podem apoiar a integração de novas intervenções nos percursos de diagnóstico.
A transformação digital surge igualmente em destaque. Liliana Certo, Maurício Alves e Teresa Magalhães apresentam investigação sobre a aplicação da inteligência artificial à vigilância em Saúde Pública em Portugal, explorando as perspetivas de especialistas sobre o potencial da IA para tornar os sistemas mais preditivos e proativos, mas também sobre desafios relacionados com qualidade dos dados, interoperabilidade, governação, competências e sustentabilidade.
Já Marta Gomes e Teresa Magalhães analisam as competências digitais dos profissionais de saúde mais velhos na Europa. O estudo, realizado a partir de dados do SHARE e envolvendo 616 profissionais, identifica desigualdades importantes nas competências digitais e aponta para a necessidade de formação contínua, apoio organizacional e estratégias adaptadas aos diferentes grupos profissionais.
Outro trabalho, de Ana Rita Pedro, Catarina Simões, Daniela Brandão, Ana Gama e Ana Escoval, aborda o estigma e a literacia em saúde como barreiras a cuidados da obesidade centrados na pessoa. A investigação, baseada em mais de 3.300 respostas, mostra que aumentar a literacia em saúde, por si só, não é suficiente para combater atitudes estigmatizantes e reforça a necessidade de combinar conhecimento, mudança social e reorganização dos cuidados.
Para a Escola, a presença simultânea de docentes, investigadores, estudantes e membros da Direção reforça também a capacidade de criar novas redes e parcerias e de projetar internacionalmente conhecimento produzido em áreas que vão da gestão hospitalar e dos cuidados integrados à Saúde Pública, transformação digital, literacia, equidade e implementação de inovação.
Uma delegação portuguesa ligada à gestão em saúde iniciou esta segunda-feira, dia 19 de outubro, em Seul, uma nova visita de estudo internacional promovida no âmbito do Curso de Especialização em Administração Hospitalar (CEAH) da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa.
Organizada pela ENSP NOVA pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar (APDH), em parceria com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), a Associação de Estudantes da ENSP NOVA e a Associação de Alumni da Escola, a iniciativa reúne 22 participantes, entre estudantes de Administração Hospitalar, gestores hospitalares e outros profissionais da área da gestão em saúde.
Ao longo de seis dias de programa em Seul, a delegação terá oportunidade de conhecer diferentes dimensões do sistema de saúde sul-coreano e de contactar diretamente com algumas das suas instituições de referência, num percurso orientado para áreas como governação e financiamento dos sistemas de saúde, desempenho e avaliação, saúde digital e inovação tecnológica.
A visita inclui ainda a participação no 49.º World Hospital Congress, da International Hospital Federation (IHF), bem como visitas ao Severance Hospital, ao Samsung Medical Center e ao Myongji Hospital, permitindo articular aprendizagem académica, contacto com práticas de gestão e inovação hospitalar e criação de redes internacionais.
A iniciativa pretende proporcionar uma experiência de aprendizagem diretamente ligada aos desafios da gestão em saúde e criar oportunidades de comparação entre diferentes modelos, práticas e respostas organizacionais, com potencial de reflexão e aplicação no contexto do sistema de saúde português.
Primeiro dia dedicado ao sistema de saúde sul-coreano e ao Severance Hospital
O programa começou na Graduate School of Public Health da Yonsei University, com uma sessão dedicada à evolução do sistema de saúde da Coreia do Sul, conduzida pelo Professor Tae Hyun Kim, da Graduate School of Transdisciplinary Health Sciences.
A sessão permitiu enquadrar um sistema que alcançou cobertura universal e que se caracteriza por elevada acessibilidade, forte incorporação de tecnologia médica e investimento continuado nas infraestruturas e organização dos cuidados. A visita foi concebida precisamente para permitir aos participantes portugueses compreender não apenas a evolução do sistema de saúde coreano, mas também o funcionamento e os modelos de gestão do seu setor hospitalar.
Durante a tarde, a delegação conheceu o Yonsei University Health System e o Severance Hospital, uma das instituições hospitalares de referência do país. A visita guiada permitiu observar diferentes dimensões do funcionamento hospitalar, incluindo infraestruturas clínicas avançadas, modelos de cuidados centrados no doente, iniciativas de saúde digital e estratégias de gestão organizacional e melhoria da qualidade. O programa terminou com um momento de discussão e perguntas entre os participantes e os responsáveis da instituição.
O primeiro dia prossegue com a integração da delegação no 49.º World Hospital Congress, através da receção de boas-vindas, visita ao i-to-i Innovation Hub e abertura da exposição.
Nos próximos dias, a participação no Congresso permitirá acompanhar debates internacionais sobre gestão, inovação e transformação dos sistemas e organizações de saúde. O programa inclui ainda uma visita ao Samsung Medical Center, no dia 22 de outubro, e ao Myongji Hospital, no dia 23, onde a delegação irá aprofundar o conhecimento sobre operações hospitalares e modelos de organização e gestão na Coreia do Sul.
A visita de estudo reforça a dimensão internacional do CEAH, criando oportunidades para que estudantes e profissionais contactem com diferentes modelos de gestão e organização dos sistemas de saúde, partilhem experiências com especialistas internacionais e tragam para o contexto português novas perspetivas sobre os desafios atuais e futuros da administração hospitalar.
A Direção da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa manifesta, em nome de toda a comunidade académica, o seu profundo pesar pelo falecimento do Professor José Manuel Sales Caldeira da Silva, antigo Diretor da Escola e uma figura de referência da Saúde Pública e da administração da saúde em Portugal.
Com um percurso de várias décadas na ENSP, primeiro enquanto aluno e, posteriormente, como docente, investigador e dirigente, o Professor José Caldeira da Silva deixou uma marca profunda na história da instituição. Foi Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública entre 1990 e 1997, período durante o qual se concretizou um dos momentos mais determinantes do percurso da Escola: a sua integração na Universidade NOVA de Lisboa.
Ao longo da sua atividade académica, assumiu diversas responsabilidades no ensino e na investigação, tendo contribuído significativamente para o desenvolvimento e afirmação da ENSP. Destaca-se o seu papel precursor na introdução do ensino da Promoção da Saúde, através da criação desta área curricular, bem como a realização do primeiro Mestrado em Saúde Pública durante o seu mandato como Diretor.
Paralelamente à atividade académica, desenvolveu uma extensa carreira dedicada à organização e administração da saúde, assumindo responsabilidades de relevo a nível nacional e internacional, nomeadamente no Ministério da Saúde, na presidência da Federação Internacional dos Hospitais e enquanto membro do Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde.
O seu percurso foi reconhecido através de diversas distinções, entre as quais a Medalha de Serviços Distintos do Ministério da Saúde – grau ouro, atribuída em 2007.
A ENSP NOVA recorda com profundo reconhecimento o Professor José Caldeira da Silva, pela dedicação à Escola e pelo contributo decisivo para a sua afirmação universitária. O seu legado, marcado pelo compromisso com o ensino, a investigação e o desenvolvimento da Saúde Pública, permanece inscrito na história e na identidade da nossa Escola.
À família, amigos, antigos alunos e colegas, a ENSP NOVA endereça as mais sentidas condolências.
Cerimónias Fúnebres
O velório realiza-se terça-feira, 20 de outubro, a partir das 17h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa.
A missa de corpo presente terá lugar quarta-feira, 21 de outubro, às 14h00, no mesmo local, seguindo-se, pelas 15h00, a saída para o Cemitério dos Olivais.
A Direção da ENSP NOVA