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Os dados têm respostas. Aprenda a fazer as perguntas certas.
Sónia Dias, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), irá coordenar o grupo temático europeu da EuroHealthNet dedicado à Prescrição Social, Artes e Natureza (Social, Arts and Green Prescribing), reforçando o reconhecimento internacional do trabalho desenvolvido nesta área.
O grupo, que reúne instituições de Saúde Pública de diferentes países europeus, incluindo Áustria, Itália e Catalunha, pretende aproximar investigação, políticas públicas e prática, promovendo a Prescrição Social como instrumento de promoção da saúde, do bem-estar e da equidade. Entre as prioridades destacam-se a partilha de conhecimento e experiências entre países com diferentes níveis de implementação e o impulso à expansão, e consolidação sustentabilidade da Prescrição Social à escala europeia
“Esta eleição representa um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Centro de Conhecimento em Prescrição Social da ENSP NOVA e uma oportunidade para contribuir para uma agenda europeia cada vez mais relevante. Queremos aproximar evidência, políticas e implementação, promovendo modelos de qualidade, adaptados aos diferentes contextos e capazes de responder às desigualdades e aos determinantes sociais da saúde, contribuindo para mais saúde e bem-estar para todos”, afirma Sónia Dias.
A ENSP NOVA está envolvida no desenvolvimento da Prescrição Social em Portugal desde 2018, tendo participado no planeamento, implementação, monitorização e avaliação das primeiras iniciativas nos Cuidados de Saúde Primários, nomeadamente na USF da Baixa e apoiado a sua expansão a diferentes territórios e contextos. Atualmente, dinamiza o Centro de Conhecimento Prescrição Social Portugal e a Rede Prescrição Social Portugal, que articula entidades da saúde, do setor social, da academia, das autarquias e da sociedade civil, promovendo a produção de evidência, a capacitação de profissionais e o desenvolvimento e avaliação de respostas integradas e centradas nas pessoas.
A criação do grupo surge num contexto de crescente investimento europeu nesta área, nomeadamente através do projeto Social Prescribing-EU, financiado pelo Horizonte Europa (2025–2029), no qual participa a EuroHealthNet e a ENSP NOVA, que procura avaliar o potencial destas abordagens para melhorar o acesso à saúde e aos cuidados de populações em situação de maior vulnerabilidade e a sua adaptação a diferentes contextos europeus.
Estão abertas as candidaturas às Bolsas Sociais da Associação Duarte Tarré (ADT), até dia 20 de outubro, destinadas a apoiar estudantes universitários com bom aproveitamento escolar e que se encontrem numa situação de dificuldade económica.
A iniciativa procura contribuir para que mais jovens possam prosseguir os seus estudos e concretizar os seus projetos, reconhecendo a importância de criar oportunidades para estudantes que, apesar do seu percurso académico, enfrentam dificuldades económicas.
Para além do apoio através de bolsas de estudo, a Associação Duarte Tarré promove o acompanhamento próximo dos estudantes por padrinhos e madrinhas, proporcionando uma rede de apoio assente na proximidade, na partilha de experiências e no desenvolvimento pessoal e académico. A associação procura, assim, criar uma comunidade que acompanha os bolseiros ao longo do seu percurso, valorizando o potencial de cada estudante e a importância das relações de confiança.
O processo de candidatura inclui a submissão de um formulário e da documentação necessária, seguindo-se a avaliação socioeconómica e académica das candidaturas. Após a seleção dos candidatos e a comunicação dos resultados, os estudantes selecionados são integrados na rede da ADT e iniciam o seu percurso enquanto bolseiros.
A informação completa sobre as bolsas, os critérios de candidatura e o respetivo processo está disponível no website da Associação Duarte Tarré: https://adtarre.pt/
Portugal dispõe de políticas e programas consolidados em várias áreas da prevenção, mas continua a enfrentar um desafio decisivo: transformar estratégias e conhecimento em implementação efetiva, equitativa e mensurável. Esta é uma das principais conclusões do projeto +Prevenção, desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) e pelo NOVA Center for Global Health (NCGH) da NOVA Information Management School (NOVA IMS), cujos resultados foram apresentados na CNN Portugal Summit | Fórum + Prevenção, na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa.
O European Health Prevention Index (EHPI), desenvolvido no âmbito do projeto, avaliou a implementação de 22 políticas prioritárias em 11 países europeus. Portugal obteve 55,3 pontos em 100, muito próximo da média dos países analisados, de 55,6 pontos, ocupando a 7.ª posição. No entanto, apenas 40,9% das políticas avaliadas no país apresentam níveis elevados de implementação.
Portugal apresenta resultados particularmente positivos nas áreas da Imunização e do Rastreio, embora persistam oportunidades de melhoria, nomeadamente na vacinação ao longo do ciclo de vida, na participação nos programas de rastreio e na redução das desigualdades de acesso. Em contraste, a Educação para a Saúde e Literacia em Saúde e a utilização de Dados e Inteligência Artificial surgem entre as áreas com menor nível de implementação.
Para Sónia Dias, diretora da ENSP NOVA, os resultados mostram a necessidade de uma mudança mais profunda na forma como a prevenção é integrada no sistema de saúde.
“Não podemos continuar a pensar a sustentabilidade do sistema de saúde apenas a partir da sua capacidade de responder à doença. Precisamos de um SNS forte e capaz de cuidar na doença, mas também capaz de produzir saúde, antecipar riscos e prolongar os anos de vida vividos com qualidade. O estudo mostra-nos que o desafio já não é apenas saber o que funciona: é conseguir passar à ação e implementar melhor, avaliar o impacto que estamos efetivamente a produzir e medir não apenas a despesa, mas o acesso, a equidade, os resultados e o retorno do investimento”, afirma.
Num dos países mais envelhecidos da Europa, os cuidados preventivos representavam, em 2023, apenas 2,3% da despesa corrente em saúde, abaixo da média europeia de 3,7%. O estudo alerta, contudo, que estes números poderão não refletir todo o investimento realizado. Entre os especialistas consultados, 88,2% consideram que a despesa em prevenção reportada em Portugal está subestimada, já que parte da atividade preventiva está integrada na prestação habitual de cuidados e outra acontece fora do setor da Saúde.
Educação, ambiente, habitação, emprego, proteção social, urbanismo, autarquias ou organizações comunitárias têm também impacto direto na saúde das populações, reforçando a necessidade de pensar a prevenção de forma intersetorial e para além das fronteiras tradicionais do sistema de saúde.
“Na verdade, a prevenção exige uma mudança de paradigma: mais do que nos centrarmos na doença, investir na prevenção é criar condições para se viver mais e melhor, com maior autonomia, qualidade de vida e bem-estar, contribuindo também para reforçar a sustentabilidade dos sistemas de saúde. A prevenção tem de deixar de ser encarada como uma despesa e passar a ser reconhecida como um investimento estratégico que gera valor para as pessoas e para o sistema de saúde, mas, acima de tudo, para a sociedade e para o país”, acrescenta Sónia Dias.
Para os investigadores, Portugal deve, por isso, evoluir de uma lógica centrada apenas na despesa para uma lógica de investimento e valor, relacionando os recursos aplicados com indicadores de acesso, cobertura, equidade, resultados em saúde e retorno do investimento. Melhorar os sistemas de informação e os mecanismos de monitorização será também essencial para conhecer com maior rigor quanto se investe em prevenção e que impacto é alcançado.
O projeto reforça ainda uma dimensão central da missão da ENSP NOVA: aproximar a produção de conhecimento da decisão e da prática. “A academia não deve limitar-se a produzir evidência. Tem também a responsabilidade de a transformar em instrumentos úteis para a decisão, apoiar a implementação, avaliar o que funciona, em que contextos, e medir o seu impacto. É nesta aproximação entre investigação, políticas públicas e prática que queremos continuar a posicionar a ENSP NOVA”, sublinha Sónia Dias.
Sobre o +Prevenção
O +Prevenção é um projeto de investigação desenvolvido pela ENSP NOVA e pelo NOVA Center for Global Health da NOVA IMS, com o objetivo de reforçar a prevenção como prioridade das políticas de saúde. Integra uma Framework de Políticas Públicas de Prevenção, o European Health Prevention Index e uma análise do Enquadramento Económico da Despesa em Prevenção em Portugal, procurando produzir evidência que apoie a definição de prioridades, a implementação de políticas e decisões de investimento mais informadas.
Consulte relatório final síntese aqui: https://qrco.de/bh2Vxr