Torne-se toxicologista registado europeu
Antecipe o impacto das alterações climáticas na saúde
A proteção solar é essencial para prevenir danos na pele e reduzir o risco de cancro cutâneo. Mas a forma como nos protegemos também importa. Alguns produtos cosméticos, incluindo determinados protetores solares, podem conter substâncias químicas com potencial de interferência no sistema hormonal, conhecidas como químicos disruptores endócrinos ou EDCs.
Para ajudar os cidadãos a fazer escolhas mais informadas, a plataforma europeia NEMESIS for You, desenvolvida pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) no âmbito do projeto europeu NEMESIS, acaba de disponibilizar um novo conteúdo dedicado à proteção solar e à redução da exposição a EDCs.
O guia explica, de forma simples e acessível, a diferença entre filtros solares químicos e minerais, identifica ingredientes que os consumidores podem aprender a reconhecer nos rótulos e reúne recomendações práticas para uma proteção solar mais segura, especialmente para crianças, grávidas e famílias.
Entre as principais recomendações estão a preferência por protetores solares minerais, sempre que adequado, a escolha de produtos sem fragrância adicionada, a atenção aos rótulos e à validade dos produtos, e a preferência por cremes ou loções em vez de sprays, reduzindo assim o risco de inalação. O guia recorda ainda que, na União Europeia, os cosméticos estão sujeitos a regras específicas de segurança, incluindo restrições ou limites de concentração para determinadas substâncias.
A plataforma sublinha, no entanto, que o protetor solar é apenas uma parte de uma estratégia de proteção. Evitar a exposição solar nas horas de maior calor, usar chapéu, óculos de sol, roupa adequada e procurar sombra continuam a ser medidas fundamentais, sobretudo para bebés, crianças pequenas e grávidas.
Este novo conteúdo integra a missão da plataforma NEMESIS for You, lançada pela ENSP NOVA e parceiros europeus, de tornar a informação sobre disruptores endócrinos mais clara, útil e aplicável às escolhas do dia a dia. Embora não seja possível eliminar totalmente a exposição a substâncias químicas presentes no ambiente, pequenas decisões quotidianas podem contribuir para reduzir o contacto com alguns EDCs.
O NEMESIS é um projeto financiado pela Comissão Europeia que reúne 13 parceiros de oito países, combinando conhecimento em toxicologia, medicina, biologia, saúde ambiental e saúde pública para compreender melhor como os disruptores endócrinos podem influenciar o metabolismo e a saúde humana.
Conheça o guia sobre proteção solar e disruptores endócrinos na plataforma NEMESIS for You:
https://nemesisforyou.eu/pt/
A Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA) participou na conferência mundial da Organização Mundial da Saúde “Shaping AI in Health”, dedicada ao futuro da inteligência artificial na saúde.
A ENSP NOVA esteve representada por Paulo Sousa e Alexandre Lourenço, docentes da Escola e coordenadores dos dois Centros Colaboradores da OMS sediados na ENSP NOVA, nas áreas da qualidade e segurança do doente e da gestão em saúde.
A conferência, coorganizada pela OMS/Europa e pelo Governo de Portugal, decorreu em Lisboa, nos dias 15 e 16 de julho, e reuniu representantes de 37 países, incluindo governos, organizações internacionais, academia, sociedade civil e indústria, com o objetivo de discutir formas de passar do compromisso político à implementação prática, responsável, segura, equitativa e eficaz da inteligência artificial em saúde.
No âmbito da reunião, Paulo Sousa e Alexandre Lourenço participaram também num painel restrito com representantes ministeriais dos países da CPLP, a Ministra da Saúde de Portugal, o Diretor Regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, e os Centros Colaboradores da OMS em Portugal.
Esta participação permitiu reforçar o contributo da ENSP NOVA para a reflexão internacional sobre o papel da inteligência artificial na transformação dos sistemas de saúde, em particular nas áreas da governação, qualidade, segurança, gestão, capacitação dos profissionais e utilização ética e responsável de dados e tecnologias digitais.
Para Paulo Sousa, a presença da ENSP NOVA neste encontro “reforça o reconhecimento internacional da Escola e dos seus Centros Colaboradores da OMS enquanto espaços de produção de conhecimento, cooperação técnica e apoio à melhoria dos sistemas de saúde”. “A inteligência artificial pode trazer oportunidades muito relevantes para a saúde, mas a sua implementação deve ser orientada por princípios de segurança, equidade, transparência e criação de valor para os profissionais, os cidadãos e os sistemas de saúde”, sublinha.
Alexandre Lourenço destaca a importância de discutir estes temas num contexto internacional e, em particular, no espaço da CPLP. “A inteligência artificial em saúde não é apenas uma questão tecnológica. É também uma questão de governação, organização dos serviços, capacitação das equipas e definição de prioridades. A partilha de experiências entre países e instituições é essencial para garantir que estas soluções respondem a necessidades reais e contribuem para sistemas de saúde mais acessíveis, eficientes e resilientes”, afirma.
A participação da ENSP NOVA nesta conferência enquadra-se no seu papel de instituição de referência na formação, investigação, cooperação internacional e apoio à decisão em Saúde Pública, políticas e sistemas de saúde. Através dos seus Centros Colaboradores da OMS, a Escola reforça a ligação entre conhecimento académico, cooperação técnica e resposta aos grandes desafios dos sistemas de saúde contemporâneos.
Segundo a OMS, os debates realizados em Lisboa irão contribuir para os próximos passos no desenvolvimento e implementação de soluções de inteligência artificial em saúde que sejam responsáveis, seguras, equitativas e eficazes, num contexto em que os sistemas de saúde enfrentam desafios crescentes de transformação digital, sustentabilidade, organização dos cuidados e resposta às necessidades das populações.

Sónia Dias, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA), participou no encontro europeu “Participatory approaches to improve the health and wellbeing of migrants in Europe”, realizado na University of Limerick, na Irlanda, no âmbito do programa associado à Presidência Irlandesa da União Europeia, dedicado às abordagens participativas para melhorar a saúde e o bem-estar das populações migrantes na Europa.
O evento integrou o programa associado à Presidência Irlandesa do Conselho da União Europeia e reuniu especialistas nacionais e internacionais, decisores políticos, investigadores, profissionais de saúde, organizações não-governamentais e representantes de comunidades migrantes para debater o papel da participação na investigação, nas políticas públicas e na organização de respostas de saúde.
Para Sónia Dias, que participou na qualidade de Diretora da ENSP e Presidente da secção EUPHA de Migrant and Ethnic Minority Health da European Public Health Association , “a promoção da saúde das populações, incluindo as migrantes exige respostas sustentadas na evidência científica, na participação das comunidades e na colaboração entre diferentes setores. Este evento reforça a importância de desenvolver políticas e práticas que promovam a equidade em saúde, contribuindo para sistemas de saúde mais inclusivos, resilientes e preparados para responder à diversidade das populações”.
O encontro contou também com a participação de Santino Severoni, diretor da Special Initiative for Migration Health da Organização Mundial da Saúde, que apresentou conclusões do mais recente relatório mundial sobre promoção da saúde de refugiados e migrantes. A presença da ENSP NOVA neste fórum internacional reforça o seu compromisso com uma Saúde Pública orientada para a equidade, a participação e a colaboração internacional.
A iniciativa foi promovida pela Refugee and Migrant Health Partnership, uma colaboração entre o WHO Collaborating Centre for Participatory Health Research with Refugees and Migrants, da University of Limerick, e o Department of Health, em Dublin. O encontro contou com mais de 150 participantes de 15 países.