Estudo revela que a percentagem de pessoas que passa o final da vida nos serviços de urgência tem aumentado
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Estudo revela que a percentagem de pessoas que passa o final da vida nos serviços de urgência tem aumentado

Publicada: 13.09.2025

Entre 2015 e 2021, 13,2% das mortes que ocorreram em Portugal tiveram lugar nos serviços de urgência, um valor aumentou gradualmente de 10,6% em 2015 para 14,3% em 2021. Os dados fazem parte de um estudo publicado na Annals of Emergency Medicine, uma das revistas científicas de maior impacto na área da emergência médica, e contou com a participação de Sílvia Lopes, docente da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa (ENSP NOVA).

O trabalho foi coordenado por Bárbara Gomes, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, e integra o projeto europeu EOLinPLACE – Escolha de onde morremos: uma reforma da classificação para discernir a diversidade nos percursos individuais de fim de vida, financiado pelo Conselho Europeu de Investigação.

“Estes resultados trazem visibilidade a uma realidade que tem sido pouco discutida. Muitas pessoas terminam a sua vida em serviços de urgência, em condições por vezes desafiantes, num momento em que é especialmente crítico ter os cuidados mais adequados e humanizados”, salienta Sílvia Lopes.

Os investigadores defendem que este conhecimento pode apoiar a implementação de políticas que melhorem os cuidados em fim de vida, assegurando que os serviços de urgência estão preparados para responder às necessidades dos doentes e famílias, mas também promovendo alternativas de acompanhamento, como o apoio domiciliário.

Entre os 35 países analisados, apenas Portugal (com base em dados cedidos pela Direção-Geral da Saúde e recolhidos através do SICO – Sistema de Informação dos Certificados de Óbito) e, em certa medida, os Estados Unidos da América e a África do Sul registam o serviço de urgência como local de falecimento. Nestes últimos países, 6,4% e 1,9% das pessoas morreram no serviço de urgência e ambulatório, respetivamente.

Para a equipa, esta prática coloca o país numa posição privilegiada para estudar esta realidade e contribuir para uma classificação internacional inovadora dos locais de morte, que inclua as urgências.

Já em 2024, a mesma equipa de investigação publicou estudos com dados sobre a percentagem de pessoas que prefere morrer em casa e a percentagem que realmente morre no domicílio. Neste novo artigo, as investigadoras sublinham a necessidade de “a nível global, incluir o serviço de urgência como um dos locais de morte registados no certificado de óbito, enquadrado num esforço de harmonização mundial da forma como são registados os locais de morte”.

Com o projeto e os vários estudos publicados, a equipa de investigação pretende contribuir para melhorar a prestação dos cuidados de saúde em fim de vida, ambicionando transformar a forma como se classificam os locais onde as pessoas são cuidadas no final da sua vida e onde acabam por morrer, criando uma pioneira classificação internacional dos locais de morte, que contemple serviços de urgência, algo que não acontece atualmente na grande maioria dos países.

Leia o artigo completo em: https://www.annemergmed.com/article/S0196-0644(25)00303-8/fulltext